Filomena sabia que a visita daquela mãe e filha não podia significar coisa boa. Inicialmente, quis fingir que não estava em casa, mas Isabel insistia em bater à porta com uma persistência incansável.
Com medo de incomodar os vizinhos, Filomena acabou cedendo e abriu a porta.
“O que vieram fazer aqui?”
Filomena olhou para as duas com uma expressão indiferente.
“Irmã, eu e mamãe viemos buscar você para voltar para casa.” Vanessa exibiu o seu famoso sorriso doce e se adiantou a falar.
Para quem não conhecia a situação, podia até parecer que existia uma profunda ligação fraternal entre elas.
Filomena soltou um sorriso irônico. “Há quatro anos, deixei claro que cortei todos os laços com a família Prudente e não quero mais saber de vocês. Não precisa vir aqui fingir preocupação.”
“Filomena, quando saiu da prisão? Por que está morando num lugar desses em vez de voltar para a casa dos seus pais?” Isabel parecia ignorar completamente as palavras de Filomena e perguntou, com uma expressão de falsa preocupação.
Comparada a quatro anos atrás, Isabel estava ainda mais gorda. Seu corpo volumoso, aliado ao visual vulgar de uma senhora rica decadente, dava-lhe ares de uma vilã de novela.
Ela tentou segurar a mão de Filomena.
Mas, antes que Isabel conseguisse tocá-la, Filomena recuou um passo e respondeu friamente: “Sra. Prudente, se tem algum objetivo, diga logo.”
Tudo o que aconteceu nesses últimos quatro anos fez com que Filomena enxergasse claramente quem realmente era a família Prudente.
Já não acreditava que Isabel pudesse sentir qualquer compaixão por ela.
No entanto, Isabel pareceu surpresa: “Sra. Prudente?”
“Filomena, ainda está magoada com a mamãe?” Isabel, inesperadamente, foi a primeira a demonstrar mágoa. “Me perdoe, mas na época foi tudo tão de repente. Sua irmã tinha acabado de completar dezoito anos e ainda precisava fazer o ENEM. Se ela fosse presa, a vida dela estaria acabada. Filomena, você sempre foi a mais compreensiva. Achei que entenderia o que seu pai e eu fizemos naquela situação.”
A postura natural de Isabel fez Filomena rir de indignação.
Ela não conseguia entender.
Não entendia por que, aos olhos dos pais, a vida de Vanessa valia tanto e a dela não valia nada.
Filomena chegou até a desconfiar que talvez nem fosse realmente filha biológica de Joaquim e Isabel...
“Sra. Prudente, se veio aqui só para falar essas besteiras, pode ir embora.” Filomena apontou para a porta, sem qualquer cortesia.
Ela não tinha paciência para falsidades com Isabel.
Depois de tantas negativas, Isabel não conseguiu mais manter as aparências.
Seu semblante mudou, o rosto se contorceu de raiva e ela falou em tom agudo: “O que significa isso? Só porque ficou presa agora não reconhece nem a própria mãe? Saiu da prisão e não voltou para casa. Se não fosse sua irmã nos contar que você estava se metendo em confusão por aí, nem saberíamos que estava envergonhando a família Prudente!”
Diante do tom agressivo de Isabel, Filomena não se sentiu magoada, apenas riu friamente.
Ela passou quatro anos presa no lugar de Vanessa. Durante esse tempo, ninguém da família foi visitá-la, como se tivesse morrido. Agora, solta, além de não receber nenhum remorso ou compaixão, ainda era acusada de envergonhar a família.
“Mãe, não fale assim com a irmã.” Vanessa, naquele momento, puxou delicadamente o braço de Isabel e lançou-lhe um olhar significativo.

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