"Quem se importa com a sua 'oportunidade'!"
Alana puxou a toalha com pressa para se cobrir, as bochechas queimando de indignação. Seus olhos, antes suaves, agora faiscavam de raiva enquanto ela encarava Daniel como se ele fosse seu pior inimigo.
A mente dela era um turbilhão. Na noite anterior, ele estivera com Mariela na sala de descanso da empresa. Como ele podia agir com tanta naturalidade e tentar possuí-la novamente agora? Alana não conseguia decifrar o jogo dele. Se ele amava tanto a Mariela, por que não assinava o divórcio de uma vez para ficarem juntos? Ele sentia prazer na traição?
Daniel mantinha-se próximo, as veias do pescoço e dos ombros saltadas, exalando uma aura selvagem e perigosa. Ele parecia um leão prestes a explodir; um movimento errado de Alana e ele a devoraria.
"Daniel... você quer dormir comigo? É porque desistiu do divórcio?" A voz de Alana tremeu. No fundo, uma pequena e insistente centelha de esperança surgiu. Ela queria que ele admitisse que tudo fora um erro, que ele não queria perdê-la e que passariam o resto da vida juntos.
Daniel, porém, apertou os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos. "O fato de eu querer ou não o divórcio tem algo a ver com o fato de eu querer ou não a sua cama?"
A resposta de Alana foi imediata: "Sim!"
O desejo nos olhos de Daniel apagou-se, substituído por um desprezo frio. "Pare de sonhar, Alana. Você foi longe demais." Para ele, aquela era apenas uma técnica desajeitada dela para tentar segurá-lo. "É normal que alguém superficial como você não entenda que eu apenas tenho necessidades... mas eu sei controlá-las."
Ele se afastou abruptamente. A porta do quarto se abriu e o ar fresco dissipou aquela atmosfera pesada. Alana respirou fundo, sentindo-se renascer, mas não havia alegria em seu peito, apenas um vazio imenso.
Mais tarde naquela noite, o som do motor do Maybach de Daniel ecoou pela montanha enquanto ele partia.
Alana não conseguiu pregar o olho. De madrugada, seu celular vibrou com novas fotos de um número desconhecido. Nas imagens, Daniel e Mariela jantavam em um restaurante luxuoso. O registro de hora marcava 18h daquele mesmo dia — ou seja, antes de ele ir para a casa da avó.

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