Alana estava ansiosa, envergonhada e com raiva. Daniel permanecia diante dela, aparentemente calmo e sereno, com as sobrancelhas arqueadas em uma atitude de nítida superioridade.
Será que ela conseguiria ameaçá-lo? Talvez agora ela tivesse uma chance, mas será que resistiria à reação implacável de Daniel mais tarde?
Ela mordeu o lábio, que tremia levemente.
— Daniel, eu... eu imploro a você...
Antes que pudesse terminar, seu telefone tocou dentro da bolsa. Era um número desconhecido, mas naquele momento crucial, ela não tinha tempo para atender e desligou imediatamente. Ela olhou para Daniel novamente e completou o que pretendia dizer:
— Contanto que você salve o Edgar, farei tudo o que você quiser!
— E o que você pensa que pode fazer por mim? — A expressão e as palavras de Daniel não escondiam o desprezo.
Na verdade, ele não precisava que ela fizesse nada; ele só queria que ela voltasse a ser dócil e obediente como antes. Ela estava coberta de espinhos agora; talvez eles não o ferissem, mas ele não suportava vê-la assim. Era como se ela tivesse sofrido uma grande injustiça e ele fosse o vilão da história.
Alana ficou sem palavras. O que ela poderia oferecer a Daniel que o faria feliz? Nos últimos dois anos, exceto pelos momentos na cama, ela nunca teve controle sobre as reações dele. Ele jamais dava importância ao que ela fazia. Ela baixou os olhos, as sombras dos cílios projetando-se sobre as pálpebras, e permaneceu em silêncio.
Daniel encostou seu corpo alto na borda da mesa e ergueu a mão para segurar o queixo dela, examinando seu rosto claro e macio como se avaliasse uma mercadoria.
— Você admite que está errada?
Seu olhar penetrante, carregado de sarcasmo, a encarava, reduzindo a pó o pouco de orgulho que ela tentara cultivar nos últimos dias. Mas aquela era a "saída" que ele estava oferecendo: se ela admitisse honestamente o erro, tudo voltaria ao normal. A aura gélida do homem a envolvia completamente.
Alana não se importava que aquela saída fosse construída sobre sua própria dor. Seus olhos brilhantes encontraram o olhar de falcão dele. Ela não sabia exatamente pelo que estava se desculpando, mas admitir um erro inexistente era talvez a única esperança para salvar Edgar. Ela não tinha escolha.
Antes que ela pudesse falar, outro toque urgente ecoou no escritório. Bruno correu para atender:
— Olá, aguarde um momento, por favor.
Ele se virou e entregou o aparelho para Alana com uma postura rígida:
— Senhora, é o advogado na linha.
— O quê? — Os olhos de Alana brilharam em confusão. Ela demorou a reagir, sem entender o que aquilo significava.
Os olhos de Daniel se estreitaram instantaneamente ao encarar o celular. Bruno, sentindo um calafrio na espinha, ligou o viva-voz.
— Sra. Alana, aqui é do escritório do Dr. Aurélio. Por favor, traga os documentos do seu irmão ao nosso escritório agora mesmo. O advogado precisa entender todos os detalhes do caso.
— Está bem! — respondeu ela sem hesitar, afastando a mão de Daniel de seu queixo.
Daniel apoiou a outra mão na mesa, com as pontas dos dedos ficando brancas de tensão. Sua postura relaxada desapareceu. Ele retirou a mão e apertou o próprio pulso com força, lançando um olhar sinistro para Bruno. Um silêncio sepulcral tomou conta do vasto escritório.
Alana engoliu em seco, olhando de Bruno para Daniel.
— Tenho um assunto urgente, vou indo agora.
Sem entender como aquela ligação havia acontecido, ela tentou fugir dali o mais rápido possível.
— Pare. — A voz de Daniel era cortante.
Alana sentiu um aperto firme em sua cintura quando o braço longo do homem a puxou de volta, forçando-a a recuar. Ela se virou para ele com um olhar que misturava súplica e medo.

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