Alana fez uma pausa de alguns segundos e então disse: "O advogado foi encontrado com a ajuda de Daniel."
Ela contou primeiro a Suzi sobre seu casamento com Daniel. Na véspera de receberem a certidão, Suzi a levou para beber; a amiga ficou bêbada e chorou muito, implorando que Alana fosse feliz. Eduardo estava presente naquela noite, então ele também sabia que ela havia se casado com Daniel. Logo depois, Eduardo partiu para o exterior e não retornou por dois anos.
Alana sentia que não o conhecia tão bem como antes, por isso não quis mencionar o divórcio logo no primeiro reencontro. Felizmente, Eduardo não fez mais perguntas. Ele apenas comentou: "Quem se intrometer neste assunto terá problemas."
"Por mais problemático que seja, não posso ignorar o que aconteceu com o Edgar", respondeu Alana. Ela sabia que, ao defender o irmão, se tornaria o alvo da opinião pública. Cada movimento seu seria monitorado e criticado. Mas o que ela poderia fazer? Mesmo que houvesse culpa de Edgar no acidente, ela precisava compensar a vítima; não podia simplesmente lavar as mãos.
"Se encontrar dificuldades, me avise", disse Eduardo. As portas do elevador se abriram e ele as bloqueou com a mão para que Alana passasse. Ela saiu, ajeitou a roupa e devolveu o paletó branco a ele.
"Obrigada, Eduardo."
Ao estender a mão, o pulso de Alana apareceu vermelho, ferido pelo irmão da falecida no hospital; a cena era dolorosa de ver. Eduardo olhou para o casaco e depois para o ferimento antes de desviar o olhar e pegar a peça casualmente. "De nada. Tenha cuidado na volta."
Alana caminhou em direção ao estacionamento. Ela dirigia o carro reserva da família, já que seu pai estava no hospital e não precisaria dele por enquanto.
Ao cair da noite, o Maybach parou em frente à mansão. Daniel saiu do carro, com o paletó no braço, desatando a gravata ao entrar. O quarto estava completamente escuro. Ele manteve a mão na maçaneta por alguns segundos, confuso.
Ele estivera ocupado e não voltava há dias. A última vez fora na noite em que Alana se comportara de forma "irracional". Normalmente, as luzes estavam sempre acesas quando ele chegava, não importa a hora. Ela sempre o cumprimentava com palavras de conforto e um sorriso. O breu total o deixou desconfortável.
Ele acendeu a luz, jogou o casaco no sofá e subiu para o banho. Era um período de adaptação: não havia ninguém para cuidar dele, lavar suas roupas ou entender suas necessidades. Daniel franziu a testa e fez uma ligação.
"Como está o caso?", perguntou ele.
Do outro lado, o advogado Aurélio respondeu: "Graças a você, o caso atraiu atenção. Mesmo sendo um animal, há grandes chances de ir a julgamento."
"Ótimo." Daniel saiu para a varanda. A brisa noturna soprava suave. "E o caso da família da Alana?"
O tom do advogado mudou. "Ouvi do Dr. Hugo que é complicado; ele só tem 30% de certeza de vitória."

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