Alana subiu as escadas de volta pro andar de cima — mas não foi até o quarto andar.
Ela contornou o prédio, desceu pelo segundo andar até a saída dos fundos no térreo e escapou.
Assim que entrou num táxi na entrada do hospital, a mãe começou a ligar sem parar.
Por precaução — caso algo acontecesse com Edgar — ela tinha tirado o número da mãe da lista negra.
Uma ligação atrás da outra chegava, sem dar sossego.
O motorista olhou pelo retrovisor:
— Moça, por que não tá atendendo?
— Ligação de assédio. — Alana aproveitou a brecha e bloqueou o número de novo.
Mas logo a mãe começou a bombardear o Chat com mensagens.
"Você deixou seu pai com raiva, e mesmo assim ele ainda quer cuidar de você e planejar seu futuro. Como pode ser tão ingrata!"
"Se você for expulsa da família do Daniel e virar uma mulher largada, que homem de valor vai te querer?"
"Mesmo que se case com outro, ainda vai ter filhos — não pode descuidar da sua saúde!"
Alana respondeu direto: "Não tenho nenhum problema de saúde."
Ela não ficou mais em silêncio como antes.
A mãe parou de bombardear o celular e entregou o aparelho pro pai:
— Querido, olha — a Alana respondeu. Ela fez exames depois que entrou na família do Daniel. Se tivesse algum problema, já teria aparecido. Será que o problema está em outro lugar?
O pai estava com tanta raiva que a cabeça latejava:
— Não me interessa onde está o problema. Você precisa fazer ela engravidar de um filho da família do Daniel o quanto antes!
A mãe estava encharcada de suor de ansiedade:
— Eu... como vou fazer ela engravidar? E a família do Daniel — se estão decididos no divórcio, acham que vão ficar com ela só porque ela engravidou?
— No mínimo, se ela engravidar, vai receber pensão alimentícia. A família deles pode dar a ela mais do que nossa empresa fatura em um ano inteiro!
O pai se virou e saiu do hospital:
— O Edgar tá desse jeito, e a Alana continua desobedecendo. Pra que você serve como mãe dela? Se não consegue resolver isso, pode sair de casa!
— Querido, já vou pensar numa solução. Vinte e poucos anos juntos — você não pode me tratar assim.
A mãe correu atrás dele chorando.
Depois de tudo aquilo no hospital, Alana só chegou em casa perto das oito da noite.
A funcionária já tinha ido embora. O térreo estava vazio.
A porta do quarto no segundo andar estava entreaberta, com um fio de luz saindo por baixo.
Ela subiu — mas quando abriu a porta, o quarto ainda estava vazio.
O carro de Daniel estava estacionado no quintal. Ele havia voltado.
Ela franziu os lábios, se virou e desceu pra preparar um jantar simples.
No meio da refeição, ouviram-se passos no segundo andar.
O homem descia usando um conjunto de pijama de cetim cinza-escuro e óculos com armação dourada.
Por trás dos óculos, os olhos levemente semicerrados exalavam uma frieza distante.
Alana olhou pra ele e disse:
— Fui ao hospital ver meu irmão essa noite, por isso voltei mais tarde.
Por dentro, ele debochou: Ir à ginecologia pra ver o irmão?
— Hm. — Daniel respondeu indiferente, indo até a máquina de café.
Ele sabia que a ida de Alana ao hospital para um exame não tinha sido ideia dela. Afinal, ela vinha tomando os remédios há dois anos — e era por isso que não engravidava. Mas agora, Alana queria tomar a iniciativa. Por isso foi ao hospital, na esperança de melhorar e engravidar logo.
Ela quer isso... mas por que eu deveria dar a ela?
Depois de preparar o café, ele estava prestes a subir quando parou ao passar por Alana, que segurava a xícara.
— Você tem tomado seus remédios direitinho, não é?
Alana tinha acabado de terminar uma tigela de macarrão e estava tomando o caldo. Ouvir ele mencionar os remédios de repente fez ela engasgar:

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