A avó disse mais algumas palavras a Daniel, mas ele permaneceu impassível.
Que seja. Preferiria incentivar o pai a ter um segundo filho do que insistir com este.
Um instante depois, o almoço começou.
À mesa, Alana comeu em silêncio, mas podia sentir o olhar de Daniel recaindo sobre ela com frequência. Não sabia o que a avó lhe havia dito, mas aquele olhar a fazia sentir-se inexplicavelmente culpada.
Depois de finalmente conseguir comer até se fartar, ela acompanhou a senhora de volta ao quarto para a soneca e então subiu para o seu próprio quarto.
Ela pensava que Daniel havia ido para a empresa, mas descobriu que ele estava lá.
O sol do meio-dia estava forte, lançando um brilho branco sobre a camisa dele, fazendo-o parecer gentil e lânguido.
Alana fez uma pausa, a mão ainda na maçaneta, os olhos claros refletindo a imagem dele.
— Entre.
A voz de Daniel era magnética, com uma textura grave que parecia carregada de algo suave e denso ao mesmo tempo.
Ela fechou a porta, virou-se e entrou. Agarrou a barra da roupa com as duas mãos, preocupada que a avó pudesse ter dito algo que o levasse a entender mal a situação. Embora ele já tivesse muitos mal-entendidos a respeito dela, ela não queria acrescentar mais nenhum.
Parou em frente a ele.
Daniel ergueu o queixo dela com a ponta dos dedos e examinou seu rosto pequeno, do tamanho da palma da mão.
Bem-comportado. E ao mesmo tempo, completamente rebelde.
Ele se inclinou, seus lábios roçando levemente a bochecha dela, e falou devagar:
— Nem pense em tentar nenhuma gracinha na minha frente. O que você quiser, eu te dou. Entendeu?
Alana o encarou com os olhos claros, o olhar vacilando levemente ao ser atingida por sua expressão fria.
Não sabia o que havia dado nele desta vez — aquela insistência em se isolar. Mas ela não poderia ter pedido mais nada, então disse apenas:
— Está bem.
— Agora, troque de roupa e vamos comprar um carro.
Daniel começou a ajeitar a camisa e os punhos.
Alana ficou surpresa:
— Você realmente quer ir?
Ela havia achado que ele estava dizendo aquilo sem fundamento. Já havia pesquisado vários modelos online e planejava perguntar a ele qual escolher nos próximos dias.
— Cumprirei minha promessa.
Daniel a encarou com seus olhos profundos. Havia algo naquele olhar escuro que tocou o coração de Alana sem aviso.
Ela voltou à realidade, reprimindo a aceleração repentina do coração:
— Não precisa trocar de roupa, pode ir assim mesmo.
Daniel olhou para as roupas dela, não disse nada e saiu do quarto primeiro.
Alana o seguiu de perto.
Ela teve a rara oportunidade de andar no carro de Daniel.
No interior fechado do veículo, as pernas compridas do homem estavam levemente dobradas. Suas mãos, com veias bem definidas, repousavam sobre o volante — os dedos longos e finos, as juntas bem proporcionadas.
Estando tão perto dele, Alana simplesmente não conseguia ignorar sua presença. Até o ar ao redor tinha um leve cheiro de almíscar.
No cruzamento com semáforo, o carro parou suavemente e Daniel inclinou levemente a cabeça.
Ela virou a cabeça de imediato, o olhar pousando em algum ponto indefinido à frente.
Ela sabia perfeitamente que Daniel não a amava. Mesmo assim, não conseguia evitar olhar.
Felizmente, ele nem sequer a encarou — apenas lançou um olhar rápido pelo retrovisor.
O sinal estava vermelho. Pega de surpresa, ela desviou o olhar abruptamente e captou algo de um vermelho vivo no vão entre o banco do motorista e o chão.
Tinha mãos pequenas e conseguia alcançar os objetos facilmente pelas frestas.
Um batom, de uma marca famosa, naquela cor específica.

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