— Se você não mencionar o nome dele por um dia, eu consigo esquecê-lo um dia mais cedo.
Alana tirou os óculos de sol, saiu do carro e fechou a porta.
Ela havia dominado a arte do autocontrole e conseguia administrar bem suas emoções todos os dias. Com exceção de Suzi, ninguém mencionaria Daniel para ela. Ela acreditava que logo superaria aquele período que lhe causava tanta angústia interior.
— Quando ela realmente terminar com o namorado um dia, a gente sussurra o nome dele no ouvido dela e deixa ela sentir o mesmo.
Alguém estava perto das duas, segurando duas porções de pipoca e dois sucos.
Alana se inclinou para o lado, evitando o corpo de Suzi, antes de notá-lo:
— Eduardo? O que te traz aqui também?
— Você ainda é meu irmão? — Suzi fez beicinho, infeliz. — Vocês dois são as pessoas mais próximas de mim, fora meus pais. Fico sobrecarregada de passar todos os fins de semana com vocês. Sabem o quanto isso é difícil?
Eduardo deu uma risadinha suave:
— Tem certeza de que é você quem nos acompanha?
Sem conseguir argumentar com ele, Suzi se virou para Alana:
— Meu irmão não pretende ir embora desta vez. Para compensar os dois anos em que negligenciou a irmã, prometeu passar todos os sábados e domingos comigo. Mas eu não sou de priorizar família em detrimento dos amigos — quando chegar a sua vez, passo um tempo com você!
Após dizer isso, passou o braço em volta do de Alana e a puxou em direção ao cinema:
— É assim que eu sou, não fique com raiva. Só tenho medo de que você se deixe comover e caia nas graças do Daniel de novo.
Alana foi puxada dois degraus para cima, até ficar em frente a Eduardo.
Ele lhe entregou o suco e uma porção de pipoca:
— Os ingressos estão com a Suzi. Podem entrar e assistir ao filme. Eu fico aqui fora esperando.
— Você não vai entrar? — Alana pegou as coisas e o olhou surpresa. — Vamos juntos dar uma olhada.
— Não, eu já vi esse filme. Podem ir.
Eduardo sorriu gentilmente e os acompanhou até a entrada da sala, onde se sentaram no lounge. Ao entrar, Alana olhou para trás e viu que ele já havia pegado o laptop e começado a trabalhar.
Eduardo estava muito ocupado?
Suzi encontrou um lugar e a puxou para se sentar:
— Tenho estado tão ocupada ultimamente. Não sei que tipo de decisão tomei, mas ofendi todos os acionistas antigos da empresa e até consegui fazer meu pai voltar.
— Já que você está tão ocupado — disse Alana —, não precisava vir ao cinema com a gente.
— Eu disse para ele trabalhar de casa e que só precisava estar presente quando eu precisasse. Mas ele é incrivelmente cumpridor da palavra. Mesmo assim, sabe o que está fazendo e não deixa isso interferir no trabalho.
Suzi também não entendia — quando foi que o irmão havia se tornado tão confiável?
No início do filme, Alana não disse mais nada.
Após assistirem ao filme, saíram.
Eduardo, carregando a mochila com o laptop, esperava na saída. Entregou um tablet com páginas de publicidade eletrônica de vários restaurantes:
— Selecionei alguns lugares. Dê uma olhada e veja qual combina com o que vocês querem. Todos ficam aqui perto.
Suzi olhou para as opções e perguntou:
— Alana, você pagou da última vez, então agora é minha vez. O que você quer comer?
— Eu topo. — Alana escolheu um restaurante de fondue recém-inaugurado de acordo com o gosto de Suzi. — Da última vez, não foi por minha conta de qualquer forma.
— Por que você está sendo tão formal comigo? Está guardando dinheiro para o tratamento de Edgar — Suzi devolveu o tablet para o irmão. — Vamos comer fondue.
Eduardo guardou o tablet na mochila:
— Eu levo vocês de carro. Podem voltar ao cinema para pegar o carro depois que se divertirem.
— Está bem. — Alana assentiu.
Ela e Suzi entraram no carro de Eduardo, conversando animadamente durante o trajeto num clima descontraído.

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