Um líquido quente escorreu inconscientemente pelas bochechas de Alana.
Uma grande lágrima pousou em sua camisa.
Ela saiu do transe, virou o rosto e enxugou as lágrimas com a mão.
Em que você está insistindo? Em ser amante dele?
Mariela está sendo injustiçada por não poder aparecer publicamente? O que há para se sentir injustiçada? Pelo menos ela ainda tem a indulgência e os mimos dele em particular. E ela, a legítima senhora da casa, não tem nada além de uma certidão de casamento. Ela não se sente injustiçada?
— Não nos parece apropriado ficarmos bisbilhotando assuntos particulares alheios. Vamos embora.
Amanda não havia notado nada de incomum nela. Sentindo-se muito culpada, puxou-a consigo e saíram discretamente pelo corredor.
Alana deixou que ela a levasse.
Quando alguém chora, alguém sente pena e alguém enxuga suas lágrimas. E ela só merece chorar em silêncio.
Na esquina, antes mesmo que as duas pudessem descer as escadas, uma voz surgiu repentinamente atrás delas:
— Designer Amanda. Designer Alana.
Era Mariela.
Amanda parou imediatamente, obrigando Alana a parar também.
Dois olhares intensos recaíram sobre elas por trás, e o sangue de Alana pareceu gelar. Sem se virar, ela conseguia imaginar o quão arrogante devia ser a expressão de Mariela.
Ela não pôde deixar de suspeitar que Mariela havia armado aquela situação deliberadamente. Seria vingança por ter atendido a ligação de Daniel naquela noite? A vontade de Mariela de dominá-la era muito forte. Quem conhecia a relação entre os três certamente conseguia perceber isso. Das quatro pessoas ali, Amanda era a única sem consciência do que estava acontecendo.
Daniel, por outro lado, parecia alheio a tudo. Estava ali, ombro a ombro com Mariela, o paletó preto sobre os braços. Olhou calmamente para Alana e Amanda e acenou levemente com a cabeça em cumprimento.
— Desculpe interromper sua refeição! — Amanda assentiu rapidamente. — A designer Alana e eu chegamos mais cedo!
— Está tudo bem, acabamos de terminar. Podem conversar.
Daniel saiu de trás de Mariela, trocou um olhar de despedida com ela e foi embora.
A manga do casaco balançou quando ele passou por Alana, e seus dedos roçaram nos dela.
Ela retirou a mão imediatamente, como se tivesse tocado em um ferro quente e se queimado.
O homem foi embora sem olhar para trás.
— Designer Amanda, designer Alana, por favor, entrem. Peçam o que quiserem. Meu namorado paga.
Mariela voltou para a sala reservada, chamou o garçom e pediu que retirassem da mesa a comida que ela e Daniel haviam consumido.
Amanda a seguiu para dentro.
Alana olhou por um momento para o local onde Daniel acabara de estar, hesitou e então entrou.
Parou novamente na porta.
Uma pequena mesa redonda com três cadeiras ao redor. Poucos minutos atrás, enquanto Mariela chorava nos braços de Daniel, os dois estavam sentados naquelas cadeiras. Agora, Mariela ocupava seu lugar de costume, e o outro assento estava vazio — reservado para Alana.
O lugar onde Daniel se sentava.
As cenas de agora há pouco passaram diante de seus olhos, uma após a outra, como um filme.
— Vem, senta. — Amanda a viu perdida em pensamentos, com um tom não muito amigável. — Por que toda vez que te trago para sair você me decepciona assim?
Mariela apoiou as mãos no queixo e disse em tom de brincadeira:
— A designer Alana parece ficar muito infeliz toda vez que me vê com meu namorado. O que há de errado? Será que é porque seu marido não é tão bom quanto o meu namorado, e isso a faz lembrar de algo triste?

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