— Daniel?
O pai de Alana recuou rapidamente, pegou uma cadeira ao lado e a empurrou na direção de Daniel.
— Obrigado por ter vindo de tão longe visitar o Edgar. Eu... estava muito nervoso.
Independente de Daniel ter ou não intenção de se divorciar de Alana, ele precisava preservar a honra dela na frente dele.
Ele sorriu sem graça e fez um gesto pra Daniel se sentar.
Daniel ficou imóvel, com o olhar fixo em Alana, a expressão indecifrável.
Por mais ultrajante que fosse o comportamento do pai, a reação dela foi completamente passiva.
Será que a Sra. Craig não tem a menor noção de que podia ter levado um tapa de verdade?
Com a raiva fervendo por dentro, ele voltou o olhar pro pai:
— Não pode haver uma próxima vez. Ela é minha.
As palavras foram ditas sem cerimônia, diretas ao ponto, pesadas como pedra.
Ele estava lembrando o pai que Alana era antes de tudo sua esposa — e só em segundo lugar filha dele.
O pai imediatamente começou a suar frio, engoliu em seco e ficou em silêncio.
A mãe não ousou abrir a boca pra Daniel. Ela se aproximou de Alana e puxou a manga da blusa.
— Ainda tá aí parada? Explica logo pro seu pai. Não é culpa dele.
Alana ainda estava em choque com o aparecimento repentino de Daniel.
Ela não sabia se devia se sentir comovida ou envergonhada por ele ter presenciado aquele momento tão constrangedor.
Daniel se preocupa com a própria reputação — é natural que ele tenha impedido o pai. Mesma lógica de quem b**e no cachorro só depois de verificar quem é o dono.
Quanto a se sentir tocada...
A imagem de Daniel partindo com outra mulher voltou pela mente.
Não há nada pra se comover.
A expressão de Alana era indiferente, o olhar distante:
— De quem é a culpa? Eu não devia ter vindo ver meu irmão?
— Claro que não! — O pai interrompeu prontamente.
Ele havia pagado as despesas médicas de Edgar por um mês. Preciso contar com Alana no mês que vem.
— Alana, foi impulsividade do papai agora há pouco. É que eu vi o Edgar assim e fiquei desesperado. Você...
— Você não vai guardar rancor do seu pai, vai? Somos pai e filha — rancor não dura nem uma noite...
O pai sorriu sem graça e caminhou até o lado de Alana.
De costas pra Daniel, ele piscou pra ela.
Alana nunca tinha visto a expressão de alguém ser tão diferente do próprio tom de voz. Os olhos eram sinistros e ameaçadores — a voz, gentil e mansa.
Ela não respondeu. Virou o olhar pra mãe:
— Dispensei a cuidadora. Precisa de alguém pra ficar no hospital essa noite.
A mãe olhou instintivamente pro pai.
O pai disse sem hesitar:
— Pode voltar. Sua mãe fica. Se acontecer alguma coisa, nos liga. Por que você vai ficar cuidando do Edgar e deixar o Daniel em casa sozinho? Não tá certo. Vai com ele.
Daniel percebeu a hipocrisia num piscar de olhos.
Os olhos brilharam com desdém quando ele se virou e saiu primeiro.
Alana pegou a bolsa e saiu sem dizer uma palavra.
Ao sair da enfermaria, o homem já esperava o elevador.
Ela caminhou devagar até ele e parou ao lado.
De repente, passos apressados vieram de trás — era a mãe, que os tinha alcançado.
Ela sorriu cautelosa pra Daniel e puxou Alana pra escada lateral:
— Lili, a mãe precisa falar uma coisa rapidinho a sós com você.
Alana a seguiu até a escada.
A mãe olhou pro rosto dela e perguntou:
— Lili, você tá bem esses dias, né?
— Fala logo o que quer dizer. — Alana não tinha paciência pra rodeio.
Ao perceber que Alana não tinha notado a troca das pílulas anticoncepcionais, a mãe sorriu sem jeito e entrou logo no assunto.
— Seu pai disse que as contas do Edgar vencem em poucos dias. Ele estava prestes a te bater, e o Daniel viu. A gente não sabe se ele vai ficar com raiva e sumir. Vai pra casa, conversa com ele direito, e não provoca de novo...
Cem mil não era suficiente pra Alana.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Oito Segundos para o Arrependimento do CEO