O quarto estava mal iluminado e as cortinas bem fechadas.
Uma figura alta e esguia repousava na cama, e o som da respiração regular de um homem chegava suavemente.
Alana estava de pé aos pés da cama, mal conseguindo distinguir a silhueta borrada do homem.
Os olhos levemente semicerrados, os lábios finos franzidos — mesmo dormindo, ele exalava uma presença imponente.
De vez em quando ele trabalhava em casa e tirava uma soneca à tarde.
Ela ficava tão agitada por dentro que não conseguia se deitar ao lado dele e simplesmente observava.
Nos dois anos de casamento, Daniel chegava em casa à noite, jantava e ia dormir.
Passavam menos de dez horas juntos por dia — e seis ou sete dessas eram dormindo.
Nas outras ocasiões... ela nunca teve chance de observá-lo direito ou ficar ao lado dele em paz.
Às vezes, à noite, mesmo exausta, ela não conseguia dormir e queria olhar pra ele mais um pouco.
Desde o início daquele casamento e daquele relacionamento, ela foi a submissa.
Não podia dizer que se sentia injustiçada — só podia se culpar por não ter tido lucidez suficiente quando percebeu que ele não a amava.
Ela tinha mergulhado de cabeça, presa na turbulência que ele causava nela, sem conseguir se soltar.
As emoções oscilaram, foram aos poucos voltando à calma depois de tanto caos.
Aguenta mais um pouco. Assim que Edgar melhorar, ela pode ir embora.
Já que teria que aguentar de qualquer forma, não precisava chatear Daniel sem necessidade.
Afinal, se Daniel ficasse infeliz, era ela quem pagaria o preço.
Ela se virou e desceu pra preparar o jantar.
Não tinha almoçado, então fez um jantar bem farto.
Seis pratos e uma sopa — todos feitos do jeito que Daniel gostava.
Tinha acabado de colocar o último prato na mesa quando o celular tocou.
Era um número desconhecido.
Ela deslizou o dedo pra atender.
— Alana, vai ao hospital amanhã e paga as despesas do Edgar.
Era a mãe.
Ela tinha bloqueado o número da mãe — e a mãe ligou de outro número.
Quando o assunto das despesas médicas veio à tona, Alana fechou os olhos por um segundo.
Não devia ter brigado com Daniel agora.
— Por que você não fala nada? — O tom da mãe azedou diante do silêncio. — Independente dos seus problemas com a gente, você não pode simplesmente abandonar o Edgar! Os negócios do seu pai estão uma bagunça, e você não ajuda em nada — quanto mais o Edgar. A gente criou você à toa...
O pai estava com raiva, os negócios continuavam em queda e as despesas do Edgar seguiam sem pagamento.
Tudo isso porque Daniel não tomou nenhuma atitude.
E Daniel não agiu porque Alana não estava correspondendo às expectativas.
Ela não engravidava e não sabia como consolar o marido.
E o coração dele só dava pra pressionar a mãe — que ligava pra Alana e batia na mesma tecla repetidamente.
Alana estava cansada de ouvir aquilo.
— Desde a infância até a idade adulta, vocês me criaram dentro dos padrões de uma família comum. Comecei a trabalhar durante a faculdade e, depois de me formar, me casei com o Daniel. O que ele trouxe pra família é suficiente pra vocês me sustentarem por centenas de vidas. Vocês me deram à luz à toa? Vocês só medem nosso relacionamento pelo dinheiro? Os laços de família não contam pra nada?
A mãe engasgou e olhou pro pai, que estava com uma cara péssima.
O pai, furioso, arrancou o telefone da mão dela:
— Se você realmente se importasse com a família, o Edgar teria acabado assim? A gente teria chegado nesse ponto? Você ousa mencionar a escola! Se tivesse me ouvido e estudado finanças, não estaria sendo ignorada depois de se casar com o Daniel. Ser secretária dele teria sido melhor do que ficar em casa sendo dona de casa em tempo integral! Por que você entrou nesse esquema ridículo? O que isso te trouxe de bom?
Quando Alana foi pra universidade, a família ainda estava só em declínio — ainda não tinha afundado de vez.
Naquela época, o pai queria prepará-la pra se tornar a esposa de Daniel.
Como a mãe de Daniel era uma mulher forte, ele pensou que, se Alana se casasse com alguém da família, também seria capaz de sustentar os negócios.

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