— Alana? — Daniel disse sem querer. — Impossível.
Casado há dois anos, ele conhecia Alana melhor do que ninguém. Ela era muito tímida.
Incêndio criminoso, queimar uma casa com pessoas dentro — isso definitivamente não era algo que ela faria.
E além de tudo, Alana não tinha nenhum motivo pra fazer aquilo.
— A câmera da sala de estar foi queimada, mas a do quintal ficou intacta. Com certeza foi ela — veio aqui, pegou a chave, abriu a porta e entrou. O fogo começou no térreo e se alastrou pro segundo andar. Ela deve ter entendido algo errado.
O nariz da outra estava completamente entupido de frio, os olhos marejados.
Ela se sentiu injustiçada, mas não ficou nisso, dizendo:
— Estou bem, não me machuquei. O problema é que vários contratos que assinamos esses dias estavam no escritório — e foram todos queimados. Se os parceiros não cooperarem pra renegociar, vamos perder mais de um bilhão...
O rosto de Daniel estava tão fechado que parecia escurecer ainda mais. Ele não tinha tempo pra se preocupar com o mal-entendido de Alana que a levou a fazer aquela confusão.
A mente dele estava tomada pelos contratos.
Com a voz cada vez mais fraca, a outra cambaleou enquanto falava:
— Daniel...
O cobertor fino escorregou do corpo dela e ela caiu no chão com um baque surdo.
Daniel se abaixou, puxou ela do chão, a carregou pro carro e levou pro hospital.
O médico fez um exame rápido e diagnosticou, em menos de dez minutos, que ela tinha desmaiado de frio.
Ao saber que ela tinha passado várias horas de pijama fino em temperatura abaixo de zero, o médico considerou um milagre ela não ter morrido congelada.
Depois de tudo resolvido, ela foi transferida pra uma enfermaria comum — e já era dia claro.
Daniel tirou um cigarro do bolso, caminhou até o final do corredor pra fumar — e se deparou com o som de alguém atendendo uma ligação no corredor.
Era Alana.
Edgar tinha sido transferido pra um quarto comum. Ela tinha ficado ao lado dele a noite toda, com o rosto cansado e a voz fraca.
O amigo de Alana sabia que Daniel estava no hospital — então não apareceu.
Mas no fim, não conseguiu evitar a preocupação e ligou pra Alana.
Seja por exaustão física ou mental, ela não conseguia reprimir os sentimentos contraditórios de ressentimento e raiva que a consumiam.
Ela contou tudo o que tinha acontecido na noite anterior.
.....
— Você incendiou o lugar? Você se machucou? Onde você tá agora?
Três perguntas seguidas — o nervosismo dele era impossível de esconder.
Mas Alana não estava pensando nisso naquele momento. Ela respirou fundo, a voz abafada:
— Não me machuquei. Ainda tô no hospital. Saio quando o Edgar acordar.
Ele não conseguiu deixar de perguntar:
— E o Daniel, onde tá?
Alana balançou a cabeça — e só percebeu depois que ele não podia vê-la.
— Vou procurá-lo depois de imprimir os papéis do divórcio.
— Pensa bem antes de agir. Tem certeza de que não vai se arrepender?
Pelo telefone, a tristeza que emanava de Alana bateu direto nele.
Alana reagiu com tanta intensidade porque se importava.
Não era só com o irmão — ela também se importava com Daniel.
— Sem arrep...
As três palavras ficaram presas na garganta de Alana. Ela abriu a boca várias vezes — e não conseguiu dizê-las.
Depois de um silêncio longo demais, ele entendeu o que estava acontecendo.
— Já que você vai se arrepender de qualquer jeito, então...
— Não me arrependo. Definitivamente vou me divorciar dele!
Alana o interrompeu, firme e resoluta.
Mais do que uma promessa a ele — era uma promessa a si mesma.
— Se acalma primeiro. Vou resolver sua licença na empresa. Me liga quando puder voltar.
Ele ainda queria que ela ficasse calma.

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