Ponto de Vista de Aubrey Mary
Eu estava prestes a morrer — e a assassina seria minha própria irmã.
Assim que Bailey surgiu na ala isolada da UTI do Centro de Pesquisa de Virologia Nível Quatro da Alcateia Shadowmoon, onde eu estava internada, compreendi que ela tinha vindo para me matar.
Não havia outro motivo para sua presença ali. A menos que sua intenção fosse garantir que eu jamais deixasse aquele quarto com vida.
“Os outros lobisomens infectados com o Vírus Lupino morrem gritando, cobertos pelo próprio sangue, quando a primeira lua cheia surge. Mas você?” Bailey se postou ao lado da minha cama, altiva, com um sorriso debochado nos lábios. “Você não apenas sobreviveu, como também não ficou contagiosa. Um espécime perfeito para estudo. Três anos como cobaia — foi proveitoso pra você?”
Tentei responder, mas minha garganta seca não produziu som algum.
Durante três longos anos, o vírus destruiu meu corpo. Restava apenas uma sombra do que eu fora — um corpo magro, coberto de tubos e agulhas. A dor havia deformado meu rosto, e eu já não conseguia me transformar em loba.
Minhas garras, antes afiadas como lâminas, agora eram frágeis demais para cortar até mesmo papel. Meu olfato, outrora aguçado, se retorcia diante do forte cheiro de desinfetante que impregnava o ar.
Enquanto isso, Bailey permanecia linda e poderosa. Se algo mudara nela, era apenas o fato de ter se tornado ainda mais admirada pela alcateia.
Ela girava entre os dedos uma seringa cheia de um líquido amarelo pálido que brilhava sob a luz.
“Ah, isso? É o soro antiviral desenvolvido ontem. Você lutou pela vida esse tempo todo esperando por ele, não é? Ficaram com pena de você, então prepararam uma dose especial. Só precisa da injeção — e estará curada! Aubrey, não quer se salvar?”
Queria. Mais do que tudo.
Fechei os olhos e engoli o desespero que subia pela garganta.
Claro que eu queria viver. Mas com o antídoto nas mãos da minha irmã, percebi que aquele seria meu último dia. Afinal, a culpa de eu estar infectada era dela.
Cinco anos antes, o Rei Alfa — governante supremo de todas as alcateias — morreu de forma repentina, sem deixar herdeiros. A união entre os lobisomens se rompeu, e uma guerra brutal dividiu o território entre Norte e Sul.
Os lobos do sul, aliados a feiticeiros sombrios, criaram uma arma biológica para destruir os do norte: o Vírus Lupino. A infecção cortava o vínculo dos lobos com seu espírito interior, fazia os órgãos falharem e levava a uma morte lenta e desesperadora.
O vírus chegou à Alcateia Shadowmoon. Bailey me enganou, fazendo-me beber água contaminada.
Mas, para desgosto dela, eu não morri. Minha condição se arrastou, e algo no meu sangue resistia à doença.
Ela reportou o fato e, a partir daí, me transformaram em cobaia. Fui cortada, perfurada, drenada — tudo em nome da ciência, tentando extrair de mim a chave para uma vacina que pudesse salvar o Norte.
E eu, ingênua, acreditei que se suportasse o suficiente, um dia seria salva.
Hoje vejo que não foi apenas o vírus que me destruiu. Bailey sempre me usou.
Incapaz de lidar com medicina, roubou meu talento e minha reputação. Toda a glória dela vinha do que era meu.
E o motivo de eu nunca ter despertado minha loba? Ela me drogava com supressores.
Pensar em como me transformou em degrau para o sucesso dela fazia o ódio ferver em mim. Mas eu ainda não podia morrer. Não antes de me vingar.
Os médicos-lobos elogiavam minha força, diziam que eu era nobre por me sacrificar pelo Norte.
Nobreza? Que piada.
Eu só suportei três anos de inferno para acelerar a criação do soro — para ter uma chance de sobreviver e acertar as contas.
E agora, o antídoto que eu tanto esperava brilhava nas mãos da minha algoz.
“Aubrey, eu sei que você não quer morrer. Ninguém acreditaria em nada que dissesse, então podemos resolver isso entre nós. Me dê a combinação do cofre do seu laboratório e eu aplico o soro. Depois, providencio sua fuga. O que acha?”
Enfim, o verdadeiro motivo da visita se revelava.
Olhei para ela, cerrando os dentes. “Nunca vi alguém ser tão descarada.”
Depois de roubar minha vida inteira, ainda queria me extorquir antes de me matar. Ambiciosa demais.
“Não vai colaborar?”


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