Ponto de Vista da Aubrey
O motorista, pego de surpresa, freou imediatamente. A ordem saiu tão firme e inesperada que ninguém teve tempo de reagir. Nunca tinham me visto assim.
E foi ali, naquele instante, que tudo fez sentido para mim.
Esse era o mundo real: os justos, esmagados; os hipócritas, ovacionados.
Enquanto eu ainda processava tudo, a voz estridente de Aurelia cortou o ar como navalha.
“E agora? Comete um erro e ninguém pode te chamar atenção? Ser sua madrasta é um martírio! Passei anos cuidando de você, e agora que conseguiu um noivo Alfa, acha que pode se virar contra mim?”
Ela lançou um olhar sofrido para meu pai, como se fosse vítima de uma injustiça cruel.
“Olha sua filha! Eu já não consigo mais. Não me respeita, responde tudo… e depois dizem que sou eu quem a maltrata!”
Meu pai, previsivelmente, franziu o cenho.
“Aubrey, isso é inaceitável. Peça desculpas à sua mãe agora!”
Bailey, sempre pronta a se aproveitar, se aproximou.
“Papai, não brigue com a Aubrey. Ela só ficou nervosa hoje… as coisas que aconteceram mexeram com ela.”
“E ficar nervosa te dá o direito de descontar em casa?” Meu pai me encarou. “Isso é imaturidade!”
Família?
Dei um leve sorriso. Que piada.
A verdade era clara: quem estava me humilhando era minha própria família. Mas meu pai sempre escolheu o lado conveniente.
O caos fervia dentro de mim. Podia explodir a qualquer segundo.
Mas respirei fundo. Me controlei.
“Pai, podem ir na frente. Tenho um assunto pra resolver.”
Aurelia arregalou os olhos, ofendida.
“É sério? Vai ignorar o que seu pai acabou de dizer? E o que pode ter de tão urgente a essa hora da noite?”
“Você é uma Omega sem loba! Sabe o que estão dizendo por aí? E se atrair outro bandido? E se dessa vez for estuprada de verdade?”
“Moscas só pousam onde há podridão, Aubrey! Para de provocar o destino com essa pose de coitadinha. Só está dando espaço pra esses homens se aproveitarem!”
Aquilo foi demais.
Um brilho perigoso surgiu nos meus olhos.
O ódio que crescia dentro de mim era uma fera solta.
Passei uma vida inteira sendo submissa. Me escondi, me calei, me encolhi.
Mas agora — agora eu queria que ela engasgasse com as próprias palavras.
“Senhora!”
Minha voz ecoou. Forte. Fria.
Chamei-a de "senhora" — pela primeira vez. Nunca mais de "mãe".
Todos no carro congelaram.
Olhei para ela. Depois, para meu pai. E então para Bailey.



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