Raíssa queria encontrar um buraco para se esconder, tomada por uma vergonha imensa, e disse:
— Professor Alexandre, eu estou errada.
A voz de Alexandre se tornou mais severa:
— Diga, por qual motivo você está distraída?
O pescoço de Raíssa ficou visivelmente vermelho. Ela prendeu a respiração, tentando inventar uma desculpa qualquer para enganar Alexandre, mas o olhar dele era tão penetrante que a fazia lembrar muito o do professor regente de seus tempos de ensino médio.
Se agarrou à última esperança, lançando um olhar suplicante para Alexandre:
— Preciso mesmo dizer?
Alexandre ergueu as sobrancelhas:
— O que você acha?
Raíssa sabia que não conseguiria escapar. Sua voz saiu um pouco trêmula, baixa e apressada:
— Porque o senhor é bonito demais...
Ela não soube se sua voz tinha sido baixa demais ou se Alexandre achou aquilo inacreditável:
— O quê?
Raíssa então resolveu não se importar mais com nada, levantou o queixo e falou alto:
— Porque o senhor, professor Alexandre, é bonito demais!
Instantaneamente, se fez um silêncio.
O escritório ficou completamente silencioso.
Depois de falar, Raíssa fechou os olhos como se estivesse se resignando, sentindo o coração bater cada vez mais rápido.
Esperou por muito tempo sem que houvesse qualquer reação. Ela abriu os olhos bem devagarzinho.
Alexandre a olhava com uma expressão complexa.
Aquele olhar parecia dizer: "Eu me esforço tanto para dar aula e você só pensa em cobiçar minha aparência."
— Professor Alexandre... — Raíssa chamou com uma voz fraca, tentando se explicar de algum modo.
Para sua surpresa, Alexandre logo retomou a postura séria, colocou a caneta diante dela e disse:
— Repita o que acabei de te ensinar. Se errar, não vai poder dormir.
"Será essa a punição por se deixar levar pela beleza?"
Raíssa se fingiu de coitada:

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