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Predador: Presa em minhas garras romance Capítulo 3

As luzes do palco se apagaram lentamente, engolidas pela escuridão vermelha que pulsava ao som grave da música ambiente que começou a tocar depois que a dançarina da vez terminou seu show. A multidão na plateia sussurrava entre goles de uísque e olhos famintos. No centro do salão, bem na primeira fileira à frente do palco, Killer Knight se acomodava na poltrona de couro como um rei no trono, porque ele era. Dono da Fera Dourada, maior boate de Valtheria, alfa da alcateia que comandava tudo naquele território, poderia estar em qualquer lugar mas foi apenas por insistência de seu beta, e já estava começando a se arrepender.

Assim que se sentou, as dançarinas se movimentaram ao redor dele como mariposas sedentas pela luz, oferecendo bebidas, toques, sorrisos pintados de batom. Ele não deu atenção, como sempre, pegou seu copo com a mão tatuada, girou o líquido âmbar e se encostou no encosto largo da poltrona. Estava atento, observando o palco, esperando o próximo número, mesmo sabendo que provavelmente não se interessaria.

Apesar de todas as lobas daquele lugar estarem ansiosas para dar tudo a ele, Killer nunca foi a Fera Dourada procurando por mulheres, aquele era para ele, apenas mais um de seus inúmeros negócios.

Atrás das cortinas, nos bastidores abafados pelo cheiro de perfume doce e adrenalina, Melia respirava fundo. Seu coração estava tão acelerado que sentia o pulso vibrando em seus ouvidos. Estava com os cabelos negros soltos, perfeitamente ondulados. Os olhos maquiados realçavam a máscara branca que escondia parte do rosto. O robe de seda vermelho claro mal tocava suas coxas, e por baixo dele, a lingerie branca marcava seus seios e quadris com um contraste delicado e provocante. Usava saltos altos, como mandava o figurino, era sua estreia.

Ela não queria estar ali, mas precisava.

Estava fazendo aquilo por sua mãe, para comprar os remédios dela, para salvá-la.

Quando o nome “Bunny” ecoou pelo sistema de som, o estômago de Melia se revirou. Ela fechou os olhos por um segundo e desligou tudo o que sentia. Medo, vergonha, deixou tudo do lado de fora.

Abriu os olhos.

Respirou.

Então entrou.

As cortinas se abriram e os holofotes a engoliram.

A música era lenta, envolvente. O ritmo era uma batida hipnótica que combinava com o tilintar dos copos e os olhos devoradores dos homens. Melia andou até o centro do palco com passos calculados, sensuais, olhos fixos em um ponto distante. Sabia que não podia parecer insegura.

Com movimentos lentos, ela desatou o laço do robe e deixou que ele escorregasse pelos ombros. A plateia prendeu a respiração. Por baixo, a lingerie branca deixava suas curvas à mostra, a pele alva brilhando sob as luzes. Melia dançou. Rodopiou. Desceu com uma perna esticada e outra dobrada até ficar de joelhos, as mãos subindo pelo proprio corpo, tocando os seios cobertos de renda.

Com um movimento calculado, retirou o sutiã e o jogou de lado, deixando os seios medios de mamilos rosados à mostra para o olhar sedento dos lobos. Odiava aquele olhar, o tipo de olhar de quem olhava um pedaço de carne, um corpo sem alma.

Mas aquela não era hora para pensar.

A nudez parcial arrepiou sua pele, mas ela não parou. Deslizou os dedos por sua barriga, subiu até os seios, apertando-os levemente, provocando. Quando se levantou e caminhou até a beira do palco, abaixou-se de costas para a plateia, arqueando o corpo, o bumbum perfeitamente redondo à mostra.

E foi ali que os olhos dela encontraram os dele.

Vermelhos. Ardentes. Selvagens.

E, naquele momento, ela sentiu a dor em seu peito, como um ano atrás, quando chegara à Valtheria, fazendo seu coração parecer que iria parar, como se ele se contorcer dentro do peito.

O homem a encarava com intensidade brutal. Ele não piscava, seu corpo parecia rígido na poltrona, os dedos tensos em torno do copo. Era um alfa, Melia soube disso no mesmo instante em que viu os olhos mudando para vermelho sangue, apenas alfas tinham olhos daquela cor.

Por um segundo, apenas um, houve apenas aquilo, a dor e os olhos cor de sangue que pareciam querer devorá-la.

Tinha que estar errado tinha que estar!

Depois de mais de duzentos anos?

Uma mulher dançando nua no palco da sua boate não podia ser sua companheira.

Não podia.

Mas o cheiro... o cheiro dizia outra coisa.

A forma como o corpo dele implorava para se ajoelhar aos pés dela e tê-la em sua boca… O descontrole que ameaçava tomar seu corpo, a fomra como seu lobo parecia querer arrancar os olhos de todos aqueles inuteis que estavam olhando para ela…

Tudo aquilo dizia o contrário do que ele queria acreditar.

Ele passou a mão no rosto e soltou a fumaça pelos lábios, tentando se convencer de que estava apenas excitado. Tinha ficado tempo demais sem uma mulher, era isso.

Só isso.

Mas Killer Knight não conseguia tirar a imagem dela da cabeça.

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