Nesse mesmo momento, a porta do camarim foi aberta de supetão. Um segurança entrou primeiro, largo como um armário, seguido de perto por Corin.
— O que está acontecendo aqui? — A gerente perguntou, a voz carregada de irritação.
Melia tentou correr, mas Jack esticou o braço e segurou o pulso dela com força, obrigando-a a parar. Os olhos da ômega foram para a gerente com esperança de ser salva, afinal, ela e Corin tinham um acordo.
— Essa vadia aqui tá se fazendo de difícil — ele respondeu, ainda sem largá-la. — Se recusou a fazer o trabalho dela e agora tá pagando de santa.
— Isso não é verdade! — Melia gritou, se debatendo para soltar o pulso. — Eu já disse que não faço programas! Eu só danço, só isso!
Jack riu sem humor, balançando a cabeça como se ela tivesse acabado de contar a melhor piada do mundo.
— Como é que uma prostituta não faz programa? — Ele ergueu as sobrancelhas, o tom carregado de sarcasmo. — Tá doida, garota?
— Eu não sou prostituta! — Melia sentiu a garganta arder de tanto esforço para gritar. — Eu nunca fiz isso, nunca! Diz pra ele, Dona Corin!
Jack virou-se para Corin, soltando uma risada seca.
— Que tipo de mentira é essa que você anda vendendo aqui, Corin?
Corin suspirou alto, cruzando os braços sobre o busto grande, e lançou um olhar rápido para Melia que dizia mais do que qualquer palavra: cala a boca agora, ou vai se arrepender depois.
— Ela só tá nervosa — disse, por fim, a voz firme, fria. — É o primeiro dia dela, Alfa Jack. Algumas meninas travam na primeira vez, você sabe…
— Eu não tô travando! — Melia insistiu, sentindo o desespero tomar conta, o coração acelerando como se quisesse saltar do peito. — Eu não quero! Não faço isso, nunca fiz, e não vou...
— Chega, Bunny! — O grito de Corin cortou o ar como uma lâmina.
Jack levantou uma das mãos, pedindo silêncio com um gesto. O rosto dele já não tinha mais raiva, mas algo pior: diversão sádica, como se estivesse se divertindo com a confusão que ela causava.
— Olha, eu não dou a mínima pro chilique dela — disse, olhando para Corin de forma calculista. — Mas você vai ter que me compensar por esse desrespeito, essa vadia tá me fazendo perder tempo.
— E o que você quer? — Corin perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
— Desconto no programa. — Ele sorriu de lado, satisfeito com o próprio raciocínio. — A vadia me trata e ainda quer cobrar o valor cheio? Não existe isso.
Melia arregalou os olhos, sentindo o estômago despencar como se tivesse levado um soco.
— O quê? — A palavra saiu num fio de voz, ela olhou para Corin, implorando com o olhar. — Você não vai deixar ele fazer isso comigo, vai?
— Se você tivesse ficado quieta e feito o que tinha que fazer, nada disso estaria acontecendo — Corin respondeu, seca, sem um pingo de compaixão.
— Não sou uma mercadoria! Nos temos um acordo! Você disse que eu podia só dançar!
Jack apenas deu um passo para a frente, reduzindo ainda mais a distância entre eles.
— É exatamente isso que você é aqui dentro, docinho. — Ele passou a língua pelos dentes, um gesto rápido e carregado de malícia. — E você ainda devia agradecer por alguém pagar por você, assim não morre de fome naquela merda de lugar que você vive.
Melia tentou correr para o lado, mas o segurança que estava na porta a segurou pelo braço, impedindo qualquer movimento.
— Me solta! — Ela se debateu com toda a força que tinha, mas o homem a segurava como se ela não tivesse peso nenhum.
— Para de drama, garota — Jack respondeu, rindo. — Tá se fazendo de difícil por quê? Quer posar de virgem agora?
— Já mandei ficar quieta, Bunny! — Corin gritou, os olhos faiscando de raiva. — Você vai estragar o negócio todo, sua ingrata!
— Eu sei que é difícil de acreditar, mas é verdade. Ela entrou aqui hoje, primeira apresentação, primeira vez no clube. A mãe era puta, mas nunca deixou ela ir pra vida, nem sei por que milagre ela apareceu aqui. Tá me dizendo que não quer ser o primeiro a ter algo que ninguém nunca tocou?
Ele a encarou por alguns segundos, analisando cada palavra, como se calculasse os prós e contras do investimento. Depois, riu com mais gosto, um som baixo e satisfeito.
— Se isso for mentira, Corin, eu vou levar essa história direto pro Killer — ele disse, com a voz mais firme agora. — E duvido muito que ele vá gostar de saber que você tá enganando os clientes do clube dele.
A menção do nome do alfa foi como um soco na boca do estômago de Corin, mas ela manteve o sorriso, como se aquilo não tivesse mexido com ela.
— Pode confiar. — A certeza na voz dela era ensaiada, afiada como faca. — Essa aí vale cada centavo.
Jack passou a língua pelos dentes, saboreando a informação como quem acaba de encontrar um prêmio raro. Seus olhos voltaram para Melia, brilhando em vermelho intenso, famintos.
— Então tá. — Ele estalou os dedos, como quem conclui uma transação. — Vou pagar tudo o que ela vale.
Melia balançou a cabeça com força, o coração disparado, como se aquilo pudesse desfazer a sentença.
— Não, não, não... — Ela recuou até bater as costas na parede do camarim, o frio da superfície contrastando com o calor sufocante que sentia no corpo. — Vocês não podem fazer isso comigo! Eu não quero!
Jack se inclinou para perto do rosto dela, e a voz dele veio como um sussurro carregado de ameaça.
— Você devia estar feliz, Bunny. — Ele usou o nome de palco dela, zombando. — Porque eu vou ser o primeiro, e ninguém nunca esquece o primeiro.
Melia sentiu o estômago se contorcer de pânico, as lágrimas escorrendo sem que ela conseguisse controlar. Ela virou o rosto para não sentir o hálito quente dele tão perto, mas Jack apenas riu e a puxou ainda mais para si.
Corin assistia à cena com os braços cruzados, impassível, como se estivesse apenas verificando se a transação estava saindo como planejado. A indiferença dela era tão cortante quanto a crueldade do alfa que segurava Melia como se ela fosse propriedade dele.
— Agora leve a coelhinha pro quarto antes que algum outro cliente venha disputar ela com você — Corin disse, já cansada do escândalo. — Quanto mais rápido acabar, melhor pra todo mundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Predador: Presa em minhas garras