Ponto de Vista da Rebecca
**Deixo a água quente do chuveiro lavar meu corpo, enxaguando da minha pele a sujeira da viagem. Desligo o chuveiro e envolvo uma toalha em meus cabelos loiros. Ouço risadinhas vindas do quarto ao lado.
"Ah, não", entro em pânico enquanto envolvo uma toalha em meu corpo, nem me dando ao trabalho de me secar.
Abro a porta do quarto e a cena à minha frente é exatamente o que eu esperava encontrar.
"O que vocês estão fazendo?", rosno para os trigêmeos enquanto os vejo mexendo na minha mala.
"Só estamos te ajudando a tirar as coisas da mala", diz Zachary com um sorriso malicioso no rosto.
"Parece que você engordou um pouco durante o verão", aponta Ryan ao segurar um dos meus sutiãs. "Ou você está enchendo isso de papel?"
Não posso acreditar no que estou vendo e ouvindo. Eles são uns pervertidos. Eu grito: "FORA!" Se eu tivesse um lobo comigo, aquele grito teria sido um rosnado.
Os trigêmeos se levantam às pressas com os braços cheios de roupas minhas e saem pela porta, me deixando sem nada para cobrir meu corpo. Eles corriam pelo corredor com minhas roupas; o som de suas risadas me deixa furiosa.**
Minha cabeça bate contra a janela fria do avião, fazendo com que eu subitamente acorde. O sonho que acabei de ter ecoava em minha mente. Era apenas um lembrete do que os trigêmeos eram capazes de fazer. Meu estômago revira ao pensar nos anos de tortura que suportei e sei que sem a proteção dos meus pais, provavelmente me tratarão pior ainda.
Um nó se forma na minha garganta. Sei que os trigêmeos estarão me esperando na área de retirada de bagagem e eles são as últimas pessoas do mundo que desejo ver agora, visto que minha vida está um caos.
Ao sair do avião e pegar minha bagagem, procuro pelos trigêmeos. Não os vejo, nem localizo seus corpos volumosos.
"Ótimo.", Murmuro para mim mesma conforme ando pela área de retirada de bagagem à procura de algum sinal dos trigêmeos. Finalmente, arrasto minha bagagem para fora do aeroporto. "Eles me esqueceram mesmo."
Estou em pé na beira da calçada, tentando chamar um táxi. Consigo sentir lágrimas quentes começando a se formar nos cantos dos meus olhos. Não consigo acreditar que eles me esqueceram. Na realidade, eles provavelmente me esqueceram de propósito. Ergo a mão tentando sinalizar um táxi, mas cada carro passa por mim sem ao menos reduzir a velocidade. Minha mão cai ao meu lado e sinto uma enxurrada de lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
"Eu disse que ela ia chorar", diz uma voz grave atrás de mim.
Eu me viro e esbarro em um peito volumoso e logo percebo que é um dos trigêmeos. Dou um passo atrás do corpo que está no meu caminho para poder olhar para cima e identificar qual dos três traseiros preciso chutar.
Os três irmãos estão lado a lado e já não consigo mais distingui-los. Três pares de olhos azuis idênticos estão me olhando com um sorriso divertido em seus rostos. Ao longo dos anos, eles costumavam se vestir ou cortar o cabelo de maneira diferente para que fosse mais fácil diferenciá-los. Olhando de um irmão para o outro, noto que todos eles decidiram usar a mesma camiseta azul clara e seus cabelos escuros estão todos cortados do mesmo jeito. Só consigo ter uma ideia de quem eles são quando começam a falar.
"Agora, irmão", diz o da esquerda. "Vamos tentar não fazer a pequena Raposa chorar ainda mais."
Esse deve ser o Ryan. Ele sempre foi aquele que me elogiava de uma maneira meio irônica. Ele coloca uma nota de vinte dólares na mão do irmão do meio.
"Vamos sair daqui", diz o da direita. "Estou cansado de ficar aqui."
Esse deve ser o Austin. Entre os três, é ele quem tem a cabeça mais no lugar.
Enxugo as lágrimas que estão caindo das minhas bochechas e olho fixamente para os três irmãos diante de mim.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Prefiro ser uma renegada