Ponto de Vista da Rebecca
Fico encarando o celular na minha mão. O número da minha mãe pisca na tela, mas não consigo fazer a ligação. Sou recebida apenas com um tom de chamada. Não consigo acreditar que eles mudaram seus números sem me contar antes. É como se tivessem desaparecido no abismo, sem deixar rastros. Alguém devia saber para onde eles foram.
O relógio na minha parede toca, indicando que são seis horas. Droga. Eu já deveria ter descido para o jantar.
Enxugo as lágrimas que mancharam minhas bochechas e dou uma olhada no meu reflexo no espelho. Meus olhos estão inchados e vermelhos e meu cabelo loiro está bagunçado. Eu sei que deveria me preparar mais, já que jantarei com o Alfa e a Luna, que são da Grass Growing, mas não me importo.
Ao abrir a porta do meu quarto, vejo Austin parado do outro lado da porta com a mão erguida como se estivesse se preparando para bater na minha porta.
"Do que você precisa?" pergunto, de cara amarrada.
"Vim te buscar para o jantar", ele diz de maneira brusca. "Não precisa ser rude."
"Eu já estava indo para lá", eu murmuro enquanto saio do quarto.
Austin murmura algo do tipo "renegada ingrata" baixinho.
Tive vontade de me virar e dar um soco no rosto dele, mas me contive. Não posso esquecer que essa família está me ajudando em um momento de necessidade. Ninguém mais teria me acolhido sabendo que meus pais foram banidos da Flower Flowing. Penso na ligação que tentei fazer mais cedo e me pergunto para onde meus pais foram.
Austin abre a porta da sala de jantar e logo vejo que meu prato foi colocado ao lado do de Ryan. Ryan dá tapinhas no assento ao lado dele e gesticula, ansioso, me chamando para sentar ao lado dele. Ele parece extremamente animado com a minha chegada e não consigo deixar de me perguntar o que ele está tramando.
Antes de me sentar, inspeciono cuidadosamente o assento, garantindo que não haja almofadas de pum escondidas ou que o assento não tenha sido adulterado de alguma forma. Ryan ria discretamente ao meu lado enquanto finalmente me sentava. "Você age como se fosse uma armadilha", ele sussurra.
Meu rosto cora de constrangimento quando percebo o quão tola eu parecia ao inspecionar a cadeira. "Desculpe", murmuro. "É um hábito meu."
"Não tem problema, querida", o Alfa Vincent me diz gentilmente. "Eu sei o quanto meus filhos foram duros com você no passado."
Esboço um pequeno sorriso ao Alfa e coloco o guardanapo no colo, esperando pacientemente ser servida. Os Ômegas trazem os pratos enormes e os colocam no meio da mesa. Depois de servirem o Alfa e a Luna, os Ômegas enchem rapidamente os pratos dos trigêmeos. Suspiro quando percebo que meu prato permaneceu vazio enquanto os Ômegas saíam apressados da sala de jantar.
"Os Ômegas só servem os membros classificados das alcateias", explicou Luna Lillian ao olhar para as bandejas de comida no meio da mesa. "Espero que você entenda."
Um nó se forma na parte de trás da minha garganta. Eu não tenho mais uma posição definida em nenhuma alcateia agora que meus pais foram renegados. Meu status dentro desta alcateia será alvo de constantes questionamentos.
"Claro", respondo colocando um pequeno pedaço de carne no meu prato e pegando uma pequena tigela de salada.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Prefiro ser uma renegada