Anos antes*
Era um dia ensolarado de primavera quando conheci Cassian Midas — um jovem lobinho de cabelos castanhos bagunçados e olhar afiado.
— Venha, Cassian, esta é Elara Castro. Sua futura esposa e companheira. — o velho alfa, de cabelos grisalhos e postura imponente, o empurrou levemente em minha direção.
Instintivamente, me escondi atrás do vestido de minha mãe, arrancando risadas dos adultos.
— Diga olá para Cassian, Elara. — minha mãe insistiu.
Após alguns segundos de hesitação, obedeci. Fiz um breve aceno e uma reverência, como uma jovem loba educada. Ele não sorriu. Eu também não. Mas seus olhos — castanhos claros, salpicados de pequenas pintas alaranjadas ao redor da íris — ficaram gravados em mim para sempre.
Minha alcatéia, os lobos brancos, sempre fora aliada dos lobos castanhos da montanha. Unidos, éramos inquebráveis. Meu avô e o avô de Cassian reforçavam essa amizade constantemente. A aliança se tornaria ainda mais sólida quando, ao atingirmos a idade certa, eu e Cassian nos casássemos.
Eles estavam quase sempre em nossas terras, e aos poucos comecei a me acostumar com a ideia de ser, um dia, a companheira dele.
— Para você. — disse Cassian numa tarde, estendendo-me um pequeno colar de meia-lua. Estávamos sentados na grama depois de brincar. Olhei para o presente, intrigada.
— Por quê? — perguntei, sorrindo ao segurar a peça entre os dedos.
Ele desviou o rosto, emburrado como todo menino orgulhoso.
— Para você guardar, é claro. Quando for minha esposa, já terá um presente meu.
Sorri. Inclinei-me e depositei um leve beijo em sua bochecha. Ele corou como um tomate e limpou rapidamente o local.
— Eu vou amar você, Cassian. Eu prometo. — falei, prendendo meus cabelos loiros e colocando o colar.
Ele me olhou, ainda mais vermelho.
— Eu também… eu acho. — respondeu.
Na minha cabeça, aquelas palavras eram uma promessa. E eu a guardei, mesmo que, naquela época, fôssemos apenas duas crianças.
Quando os Midas partiram naquele dia, me escondi na sala de leitura e ouvi, sem querer, uma conversa estranha.
— Eu tenho medo, meu filho — disse meu avô ao meu pai. — Nosso inimigo, Beron, é invejoso. Ele odeia nossa aliança com os Midas. Hoje, os deuses me alertaram… algo vai acontecer ao meu velho amigo Midas.
Meu pai tentou acalmá-lo, mas o medo era real. E meu avô estava certo. Dois dias depois, uma carta chegou. O velho alfa Midas fora morto por Beron. Um pedido de socorro havia sido enviado a nós — e respondido com uma recusa. Não por nós, mas como se fosse.
A partir daquele dia, a amizade entre lobos brancos e lobos castanhos morreu. Um ódio alimentado por um mal-entendido cresceu, destruindo qualquer chance de reconciliação.
Anos mais tarde, os ataques de Beron começaram. Não poupou ninguém — nem nós, nem os Midas. Sozinhos, éramos fracos. E ele aproveitou. Vieram mortes, perdas irreparáveis… como a do meu avô e do meu pai.
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Anos depois*



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