Draco se debatia intensamente, como se estivesse prestes a explodir sobre aquela cama. Os ferimentos começaram a se abrir, e sem demora tratei de pegar meus equipamentos, subir em cima dele e tentar contê-lo. Cassian aproximou-se, segurando os braços do irmão com firmeza. A cada segundo, parecia que a respiração dele se tornava mais pesada, como se estivesse pronto para me arrancar dali à força. Apliquei uma espécie de sedativo feito com ervas, e devagar Draco adormeceu. Só então voltei a cuidar dele, consciente do peso do olhar de Cassian sobre mim — vigilante, rígido, como se estivesse esperando o menor deslize para me acusar.
Ao fim, suspirei cansada e desci da cama, com Draco enfim fora de risco. Mas os olhos dele não me deixaram.
— Por que isso aconteceu? — ele perguntou lentamente, a voz baixa, carregada de desconfiança.
Encarei Draco antes de responder.
— Ele deve ter tido uma espécie de choque. É... comum. Mas vai ficar bem.
Cassian voltou o olhar para mim, fixo, como se tentasse encontrar uma mentira escondida em minhas palavras. Pensei que ele fosse dizer algo mais, mas nesse momento minha mãe entrou na tenda. Ela abaixou a cabeça ao vê-lo, e o lobo a encarou com desprezo aberto.
— Ele está bem? — ela questionou.
— Vai ficar. — respondi.
Ele nos observava, ora a mim, ora a ela, como se buscasse algo nas entrelinhas.
— Quero que saiba que podem ficar aqui enquanto seu irmão precisar. Nós queremos que ele se recupere.
— Querem mesmo? — o tom dele veio carregado de ironia, como um golpe seco.
Meu corpo se enrijeceu.
— Faço das palavras de minha mãe as minhas. Não é bom para ele partir agora, principalmente depois do que aconteceu.
Cassian não assentiu. Apenas desviou o olhar, voltando-o para o irmão inconsciente. Não havia nada mais a dizer. Logo cruzamos a saída e os deixamos ali. Mas meu coração batia descompassado, como se algo estivesse prestes a ruir. Eu havia feito uma proposta de aliança, e cada instinto dentro de mim dizia que a resposta não seria boa.
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O dia passou em silêncio sufocante. O clima no acampamento era pesado, como se cada olhar, cada passo, fosse prenúncio de guerra. A todo instante meus olhos voltavam para a tenda onde Cassian e Draco estavam. Meus dedos seguravam o colar em meu pescoço, apertando-o como se pudesse extrair força dali. As mãos tremiam levemente, e eu sentia que a espera estava me consumindo.
Foi então que uma loba mais velha surgiu. Seus cabelos castanhos e grisalhos caíam sobre os ombros, e seu olhar era duro, severo. O mesmo olhar dele.
— Santos deuses... — minha mãe sussurrou. — É a mãe de Cassian.
Meu corpo se enrijeceu como se tivesse sido atingido por uma lança. O que ela fazia ali? Como havia nos encontrado?
Os lobos se moveram, prontos para cercá-la, mas ordenamos que parassem. Ela caminhou devagar em nossa direção, os olhos percorrendo cada um de nós com julgamento silencioso.
— Onde estão meus filhos? Sei que estão aqui. Então não tentem me enganar. — sua voz era firme, cortante.
— Estão naquela tenda. — respondi, sentindo meu coração subir até a garganta.
Ela me fitou, e algo como reconhecimento cintilou em suas feições. Nada mais disse, apenas seguiu em direção à tenda. E ficamos ali, paralisadas. O peso daquela presença fazia tudo parecer mais apertado, como se estivéssemos cercadas em nossa própria casa.
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Quando cheguei à tenda depois de um banho, minha mãe estava aos gritos com o velho conselheiro Alastar.
— Eu já disse que não!
— Mas, minha senhora...
— Alastar, ela não vai se casar com ele! — minha mãe rugiu furiosa.
Atravessei a entrada, e os dois enfim me fitaram.

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