Se fosse apenas pela situação em que se encontrava, Sofia até poderia ter aceitado entrar no carro de Miguel.
Mas, depois de ouvir aquelas palavras de Isabela, tudo o que ela queria era que os dois desaparecessem da sua frente o mais rápido possível.
— Não precisa. Eu vou sozinha.
Ao ver Sofia recusar, Miguel lançou um olhar rápido para o joelho dela, ainda sangrando, e disse com indiferença:
— Como quiser.
O corpo frágil de Sofia estremeceu sob a chuva pesada.
— Miguel, você vai mesmo deixar a Sofia aqui? Ela está toda molhada... — Isabela perguntou, aproveitando para pousar a mão sobre a coxa dele.
— Foi ela que não quis entrar no carro. — Respondeu Miguel. Em seguida, voltou a atenção para o motorista. — Pode ir, Thiago. Não vamos atrasar os compromissos da Isabela.
Um relâmpago rasgou o céu.
O Maybach se afastou rapidamente do campo de visão de Sofia, e logo depois um trovão explodiu ao seu lado.
Ela se encolheu à beira da estrada, agachada, sem saber dizer se doía mais o corpo ferido ou o coração.
Com as mãos trêmulas, tirou o celular do bolso, chamou a polícia e depois ligou para Laura.
Naquele momento, o maior alívio foi perceber que o celular ainda estava com ela; caso contrário, nem saberia o que fazer.
Ela achou que a primeira a chegar seria Laura, mas quem apareceu foi uma ambulância.
Mesmo sob a tempestade, as luzes de emergência chamavam muita atenção.
— Mas eu não chamei ambulância... — Murmurou Sofia para si mesma, imaginando que talvez Laura tivesse ligado para o resgate.
A chuva ficou ainda mais forte, e os limpadores do Maybach aceleraram.
No banco de trás, Isabela e Miguel mexiam no celular.
Isabela leu uma mensagem e franziu o cenho.
Isabela: [O que você fez? Ela nem chegou a ser despida. Aqueles moleques não conseguiram nada?]
Caio: [Ela sabe lutar. É habilidosa. Conseguiu escapar.]
Isabela xingou em silêncio.
Apagou rapidamente a conversa e, ao perceber que Miguel olhava na direção dela, apagou a tela do celular como se nada tivesse acontecido.
— Não sei se vou conseguir encontrar novas inspirações para o design na exposição... — Disse Isabela, com voz manhosa.
— Você consegue. — Respondeu Miguel, sem emoção, mas de fato a encorajando. — Mas você não disse que queria passar pela unidade socioeducativa?
O sorriso de Isabela ficou um pouco forçado:


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