Sofia ignorou Arthur e encarou Miguel diretamente; Miguel respondeu do mesmo modo, sustentando o olhar sem piscar.
Aquele olhar altivo, indomável e superior era exatamente o mesmo de quando ainda estavam na unidade socioeducativa, anos atrás.
Na época em que Sofia vivia o primeiro amor, ela não tinha qualquer resistência diante daquele olhar.
A sensação de arrebatamento ainda estava viva em sua memória.
Mas agora...
Sofia suspirou:
— Se você acha vergonhoso, então assina o divórcio. Depois que a gente se separar, mesmo que eu vá catar latinha na rua pra trocar por dinheiro, isso não vai ter mais nada a ver com você.
Ao ouvir aquilo, Arthur cruzou os braços e revirou os olhos, cheio de desprezo:
— Você não consegue ser um pouco mais digna? Catar latinha na rua... só de ouvir você falar isso já dá nojo, imagina o Miguel.
Miguel ficou irritado com a tagarelice de Arthur, empurrou ele para o lado e mandou que ele ficasse com Isabela e as outras.
Em seguida, deu um passo à frente.
O corpo alto dele praticamente engolia o de Sofia.
As mãos de Sofia, escondidas atrás do corpo, se fecharam com força.
Em outras circunstâncias, talvez ela tivesse recuado.
Mas naquele dia, ela também estava irritada, irritada com o quê, nem ela mesma sabia ao certo.
Só sabia que não recuou.
Os dois ficaram frente a frente, tão próximos que quase se tocavam.
Se não fosse pela tensão nos olhares e nas expressões, qualquer um poderia interpretar a cena como algo íntimo.
Isabela observava ao lado, com o coração disparado.
Se ela o fazia passar vergonha, tanto melhor. Ela queria que Miguel a detestasse.
Mas o que ela não suportava era ver Miguel tão perto dela, perto o bastante para que, se abaixasse um pouco a cabeça, pudesse beijar ela.
Ela apertou o tecido do vestido com tanta força que quase o rasgou.
Ainda assim, não ousou dizer nada naquele momento, com medo de desagradar Miguel.
Só conseguiu engolir a própria ansiedade.


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