Sofia passou a tarde inteira ocupada, sem imaginar que a identidade de KEYS causaria um impacto tão grande.
No caminho de volta para casa, o carro dela apresentou alguns problemas, e Sofia precisou chamar um guincho para levar o veículo até a oficina.
Como a Rua do Casarão Velho não ficava muito longe, decidiu seguir a pé.
Ela não viu problema nisso.
Estava na região central e não tinha medo de encontrar bandidos de novo.
No entanto, acabou sendo seguida mais uma vez.
Dessa vez, porém, conhecia muito bem o carro que vinha atrás dela: era o Bentley azul de Miguel.
Envolta no casaco, Sofia caminhava enquanto o Bentley azul seguia a uma certa distância.
Por fim, ela parou, foi até o carro de Miguel e bateu no vidro da janela.
— O que você quer comigo?
Miguel estava sentado ao volante, em silêncio.
Sofia sentiu o olhar dele sobre ela, atento e penetrante, e franziu a testa.
Não conseguia entender o significado daquele olhar.
Na verdade, Miguel tinha muitas perguntas para fazer.
Queria saber, por exemplo, por que ela nunca quis admitir que era KEYS.
Por que usava KEYS como codinome.
Também queria saber se, como Henrique tinha dito, ela o via apenas como um substituto, uma segunda opção.
E, por fim, perguntava para si mesmo quantas outras coisas ainda desconhecia sobre ela.
No entanto, Miguel respondeu apenas:
— Nada.
Ele balançou a cabeça, com a voz fria.
— Eu não vim atrás de você.
Sofia ficou surpresa.
— Então por que está me seguindo?
— Eu não estou te seguindo. Só estamos indo para o mesmo lugar.
A resposta deixou Sofia desconcertada.
A voz de Miguel era calma e fria, sem qualquer traço de emoção, como o vento que soprava de vez em quando naquela noite gelada.
De repente, Sofia se arrependeu de ter ido perguntar aquilo.
Será que estava sensível demais?

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