Valdemar falava com paciência, tentando aconselhar Sofia, mas ela já não absorvia nada.
Todos pediam que ela compreendesse Miguel.
Ela compreendeu.
Compreendeu por três anos inteiros.
E o que recebeu em troca foi ver Miguel, por causa de Isabela, ser responsável pela perda do primeiro filho deles.
O rosto de Sofia foi ficando cada vez mais pálido. O coração, cada vez mais frio.
Valdemar era quem melhor tratava ela na família Castro.
Ainda assim, era o avô de Miguel. Naturalmente, falaria em favor do neto.
De repente, Sofia se sentiu completamente sozinha.
Valdemar falou longamente sobre as dificuldades de Miguel, sobre o peso que ele carregava, sobre o quanto a vida dele não era fácil.
Sofia já estava cansada de ouvir aquilo.
— Pense com calma. Dê uma chance ao Miguel... e a você mesma também. Mas, se no final você decidir se divorciar, eu vou apoiar sua decisão.
A última frase deixou Sofia surpresa:
— Então o senhor apoia que eu me divorcie do Miguel?
Diante do olhar arregalado dela, Valdemar sorriu com ternura:
— Do meu ponto de vista, claro que eu não quero que vocês se separem. Mas também não vou usar a minha idade para obrigar você a permanecer ao lado dele.
Ele sabia que o pedido de divórcio não era resultado de uma simples discussão.
Mas, como avô de Miguel, precisava aconselhar.
Quando Miguel sofreu o acidente, as pessoas na rua ficaram apenas olhando. Ninguém sequer ligou para a ambulância.
Foi Sofia quem chamou o socorro.
E, quando soube que a ambulância estava presa no trânsito e demoraria a chegar, colocou Miguel nas costas e caminhou até o ponto onde o resgate conseguiria alcançar eles.
Quando Valdemar chegou ao hospital, viu Sofia sentada diante da sala de cirurgia, aflita, exausta, o rosto vermelho de cansaço, o corpo suado, as roupas sujas.

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