Naquele momento, Miguel só queria desistir de tudo e parar de se importar com qualquer coisa.
Jamais imaginou que Sofia voltaria.
Sob a luz interna do carro, ela conseguiu enxergar as emoções contraditórias no olhar dele.
Havia mágoa, insatisfação e decepção.
Acima de tudo, porém, havia uma alegria impossível de esconder por ver Sofia outra vez.
Ela entregou a água e o remédio.
— Já está muito tarde, e a farmácia só tinha este remédio para o estômago. Tome dois comprimidos e espere para ver se a dor melhora.
Miguel não estendeu a mão.
— Estou sem forças...
Ele estava pálido e coberto de suor. Realmente parecia bastante debilitado.
Mesmo assim, Sofia não acreditava que Miguel fosse incapaz de tomar um simples remédio.
— Caso esteja esperando que eu coloque os comprimidos na sua boca com um beijo, pode esquecer.
Assim que terminou de falar, ela viu um sorriso constrangido surgir no rosto dele.
Aquela reação deixou claro que Sofia tinha acertado em cheio.
Ela não imaginava que Miguel realmente tivesse cogitado aquilo.
Pensando bem, nem na época da unidade socioeducativa ele costumava demonstrar tanta fragilidade.
Sofia quase teve vontade de rir.
— Já deveria ficar satisfeito porque voltei e ainda comprei remédio para você. Não tente abusar da sorte.
Miguel assentiu.
Foi a primeira vez que Sofia achou que ele parecia uma criança obediente.
Ele pegou a água. Os dedos tremiam levemente, mas conseguiu tomar os comprimidos sem dificuldade.
— Talvez esse remédio nem faça efeito...
Miguel ergueu o rosto. Pequenas gotas de suor brilhavam sob a luz.
— Já fez. Estou muito melhor.
O canto da boca de Sofia se contraiu.
— Nem o melhor remédio do mundo faria efeito no instante em que você engolisse.
Miguel respondeu com absoluta convicção:
— Faria, sim. Qualquer remédio comprado por você funciona.
Sofia segurou Miguel por instinto e quase foi derrubada pelo peso.
— Você...
Os corpos ficaram colados, e ela sentiu uma rejeição imediata àquela proximidade.
Apoiado sobre Sofia, Miguel murmurou junto ao ouvido dela:
— Desculpa. Não foi de propósito...
Ele sabia que aquela explicação não parecia muito convincente.
Mas realmente não tinha feito de propósito.
Ele tinha bebido bastante e já estava tonto.
Além disso, a crise no estômago causava tanta dor que ele mal conseguia ficar em pé.
Naquele estado, controlar o próprio corpo era quase impossível.
A voz dele ainda vibrava junto ao ouvido de Sofia, provocando uma leve coceira.
Miguel parecia tão sincero que ela não teve disposição para tentar descobrir se era verdade ou mentira.
Tivesse sido intencional ou não, naquele momento Sofia só podia garantir primeiro que ele ficasse em segurança.
Ela precisou usar praticamente toda a força do corpo para acomodar Miguel no banco traseiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Terminou assim ou ainda continua?...
O que houve que parou de atualizar os capítulos a semanas?...
Merecemos mais um capítulo com final digno depois de tanta esperada e leitira...
Mas já acabou cap. 882...
Cadê a continuação?...
E acabou assim? Ela nem disse para ele que é o pai do menino. Nem teve o casamento novamente. Uma declaração da parte dela. Não gostei do final....
Só libera até o capitulo 845? Como faz para comprar e ler o resto?...
Quantos capítulos tem esse livro? Não acaba nunca 😢...
Achei que a história tinha ficado um pouco perdida quando ela se fez de morta mas agora com eles investigando Júlia tô voltando a achar interessante mas tô com saudades dos outros personagens, eles traziam graça pro livro🥹...
Achei que a história tinha ficado um pouco perdida quando ela se fez de morta mas agora com eles investigando Júlia tô voltando a achar interessante mas tô com saudades dos outros personagens, eles traziam graça pro livro🥹...