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Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra romance Capítulo 750

Letícia estava com Yago nos braços quando viu Sofia voltar acompanhada de Miguel.

Embora não conhecesse Miguel, percebeu de imediato que havia muita intimidade entre os dois.

Sofia mantinha uma postura um pouco fria, mas existia entre eles uma sintonia difícil de explicar.

Era a primeira vez que Letícia via, na vida real, duas pessoas que combinavam tanto.

Bastava ficarem lado a lado para parecer que tinham sido feitos um para o outro.

Mesmo assim, como funcionária da casa, ela não tinha liberdade para perguntar qual era exatamente a relação entre eles.

Assim que viu Miguel, Yago estendeu os braços rechonchudos na direção dele.

— Papai... papai...

Normalmente, quando Sofia voltava do trabalho, Yago chamava primeiro por ela e só depois estendia os braços pedindo colo.

Naquele dia, porém, foi completamente diferente.

A primeira pessoa que chamou foi Miguel, e estava claro que queria ir para os braços dele.

Letícia ficou um pouco constrangida.

Afinal, não fazia ideia se Miguel era ou não o pai de Yago.

Sofia trocou um breve olhar com ela.

— Pode deixar Yago com ele. Seu expediente já acabou.

— Está... está bem.

Letícia passou Yago com cuidado para os braços de Miguel.

Assim que Miguel segurou Yago, ele abriu um sorriso tão grande que as bochechas gordinhas quase esconderam seus olhos, fazendo com que parecessem duas meias-luas.

— Papai... papai...

Era evidente que Yago gostava muito de Miguel.

Sua boquinha não parava de balbuciar, mas, além de “papai”, não dava para entender mais nada.

Não importava se Yago estava apenas aprendendo a falar ou se realmente considerava Miguel seu pai.

Um calor indescritível se espalhou pelo peito de Miguel.

Ele se inclinou até o ouvido de Yago e murmurou:

— Como seria bom se você fosse meu filho com Sofia...

Mas, mesmo que Yago fosse realmente filho de Sofia e João, Miguel ainda aceitaria ouvir ele chamar de papai.

Miguel ficou na sala brincando com Yago, enquanto Sofia vestiu o avental e entrou na cozinha para preparar a comida do bebê.

De vez em quando, ela colocava a cabeça para fora e observava os dois.

Antes, mesmo com Sofia e Letícia por perto, Yago costumava chorar e fazer manha com frequência.

Mas, desde que Miguel tinha chegado, ele não parava de sorrir.

— Considere que estou cozinhando para mim mesmo. Depois de comer, ainda vou continuar brincando com Yago.

Assim que terminou de falar, Miguel entrou na cozinha.

Sofia acabou de dar comida para Yago no exato momento em que Miguel terminou de preparar o jantar.

— Preparei uma coisa simples. Coma um pouco.

Sofia se sentou diante dele.

A comida sobre a mesa ainda soltava vapor.

Havia carne moída refogada e batata frita, dois dos pratos preferidos dela.

Na época da unidade socioeducativa, aquelas duas comidas tinham proporcionado a Sofia raros momentos de felicidade, e ela ainda sentia saudade daquele sabor.

Na Ilha de Águas Claras, não havia muita variedade de pratos.

Mesmo quando encontrava algo parecido, o sabor nunca era o mesmo.

Sofia também cozinhava de vez em quando, mas não com frequência.

Normalmente, preparava apenas uma refeição simples.

Na maioria dos dias, fazia arroz e comia com qualquer acompanhamento.

Afinal, morava sozinha.

Além de não ter muito apetite, também não tinha disposição para preparar uma refeição com cuidado.

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