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Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra romance Capítulo 751

Naquela noite, Sofia teve a refeição mais completa desde que chegara à Ilha de Águas Claras, dois anos antes.

Ela pegou o garfo e percebeu que Miguel, sentado à sua frente, esperava que provasse a comida primeiro.

Sofia começou pela carne moída refogada.

Miguel parecia um pouco tenso, como se temesse que ela não gostasse do que tinha preparado.

— E então? Está bom?

Sofia teve vontade de rir, mas se conteve.

— Sua comida melhorou bastante.

Não era apenas um elogio. Ela estava sendo sincera.

Os temperos disponíveis na Ilha de Águas Claras eram diferentes dos encontrados na República de Verídia.

Até utensílios que pareciam iguais funcionavam de outra forma.

A própria Sofia sentia que a comida preparada por ela na ilha nunca ficava com o mesmo sabor de antes.

Ela já tinha provado os pratos de Miguel no passado.

Naquela noite, porém, estavam realmente muito melhores.

Ao ouvir o elogio, Miguel abriu um raro sorriso.

— Parece que esses dois anos de prática não foram em vão. Finalmente consegui algum resultado.

Sofia inclinou a cabeça, intrigada.

— Como assim?

Miguel não explicou.

Sofia não conseguiu conter a curiosidade.

Será que, durante os dois anos em que ela fingiu estar morta, Miguel tinha praticado culinária todos os dias?

Mas para quem ele cozinhava?

Miguel percebeu a dúvida no rosto dela, mas continuou sem responder.

Não queria contar que, durante aqueles dois anos, preparava comida com as próprias mãos todos os dias e levava até o cemitério para fazer companhia a ela.

Foi assim que, pouco a pouco, aprendeu a cozinhar melhor.

Ele não queria que tudo o que tinha feito por iniciativa própria acabasse se tornando um peso para Sofia.

— Já que gostou, coma mais.

Ele pegou um pouco de comida e colocou no prato dela.

Sofia continuou comendo em silêncio, enquanto lembranças dos primeiros tempos de seu casamento com Miguel voltavam à sua mente.

Naquele tempo, acreditava que ele amava ela profundamente.

Por isso, cozinhar todos os dias, mesmo cansada, também parecia uma forma de felicidade.

Sofia costumava colocar comida no prato dele e esperar, cheia de expectativa, que Miguel gostasse do que ela tinha preparado.

— Ele é mesmo muito fofo...

Miguel observou Yago dormindo. O leve sorriso em seu rosto fez Sofia pensar que ele realmente levava jeito para ser pai.

— Está bem. Você também passou o dia inteiro ocupado. Caso não vá embora agora, vai ficar tarde demais.

Sofia acompanhou Miguel até a porta.

Um sorriso amargo surgiu nos lábios dele.

Ele já sabia que, por mais tarde que ficasse, Sofia não convidaria ele para passar a noite ali.

Como ele continuava parado, sem demonstrar intenção de ir embora, Sofia hesitou por alguns segundos e abriu a porta.

Miguel disse:

— Então vá descansar cedo também.

Ele tinha acabado de atravessar a porta quando Sofia tentou fechar, mas Miguel apoiou a mão no batente de repente.

Assustada, ela ergueu os olhos e encontrou o olhar profundo e afetuoso dele.

— Tem uma coisa que venho pensando se deveria contar para você...

Sofia não sabia se Miguel estava apenas inventando uma desculpa para prolongar a visita ou se realmente tinha algo importante a dizer.

Sem alternativa, soltou a maçaneta e deixou ele entrar novamente.

— A família Carvalho está com problemas.

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