Sofia terminou aquelas palavras frias e foi embora sem olhar para trás, deixando Eunice gritando no corredor.
No quarto do hospital, Miguel despertou.
Isabela estava descascando uma maçã. Percebeu que o olhar dele percorria o ambiente, como se procurasse alguém.
Eunice voltou naquele instante.
Ao ver que ele estava acordado, correu para demonstrar preocupação, sem deixar de exaltar Isabela.
— Você não faz ideia do susto que nos deu! A Isabela ficou exausta. Foi ela quem desceu oito andares carregando você e ainda acompanhou você na ambulância até aqui. Não saiu do seu lado nem por um minuto. Se não fosse por ela, nem quero imaginar o que poderia ter acontecido...
— Não diga isso... Eu quase não fiz nada. — Respondeu Isabela, baixando os olhos com falsa modéstia.
Miguel voltou o olhar para ela. Os olhos profundos lembravam o mar.
— Obrigado por tudo.
Isabela apertou a mão dele com força.
— Eu só fiz o que era meu dever.
Miguel recebeu alta dois dias depois.
A gastrite era um problema antigo. Não havia motivo para alarde, além de que a empresa precisava dele.
Na companhia inteira, a história se espalhou de que Isabela tinha descido oito andares carregando Miguel inconsciente e salvado a vida dele.
Diziam até que os dois estavam destinados um ao outro.
Sofia ouviu aquilo tantas vezes que acabou ficando indiferente.
No início, pensou em esclarecer a verdade, depois, percebeu que não valia a pena.
Mesmo que falasse, quem acreditaria?
Aos olhos dos outros, ela e Miguel já não tinham relação alguma.
Que motivo ela teria para carregar ele escada abaixo?
Quanto a Miguel...
Sofia decidiu aceitar.
Se ele acreditava que tinha sido Isabela quem salvou, melhor assim.
Poderia aproveitar a ocasião para propor o divórcio.
No fim do expediente, tirou da bolsa o acordo de divórcio que já tinha deixado pronto e bateu à porta do escritório.
— Sr. Miguel, por favor, assine.

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