João Rios continuou observando em silêncio. Vários pequenos tiques e hábitos antigos que Amanda mostrava agora confirmavam a suspeita que pairava em sua mente.
Amanda passou a noite inteira grudada no filho, até conseguir fazê-lo dormir.
Ela enrolou o máximo que pôde para voltar ao quarto principal, mas o homem já havia tomado banho e estava deitado na cama.
Ela se arrependeu amargamente. Se soubesse, teria fingido dormir primeiro!
— Vá tomar banho. — disse João, em tom frio.
Ela deu um sorriso forçado. — Tá bom.
Ela enrolou ainda mais do que na primeira vez em que dormiram juntos após o casamento. Levou duas horas inteiras para sair do banheiro.
Contando com a sorte, queria checar se João já tinha adormecido.
Mas assim que abriu a porta do banheiro, deu de cara com o peitoral do marido.
— Você demorou tanto que fiquei com medo de ter acontecido alguma coisa.
— Ah.
Amanda fixou o olhar nos próprios pés e deu um passo para a esquerda, tentando passar por ele.
Mas o homem pareceu antecipar o movimento e também deu um passo para o lado, bloqueando-a. — Por que está tão quieta? Com medo de eu acertar as contas com você agora que recuperou a memória?
— ...
O clima no quarto congelou na hora.
Amanda gritava por dentro: "Ferrou, ferrou muito! Esse homem por acaso trabalhou na inteligência da polícia? Como é que ele me pegou no pulo de novo?"
Criando coragem, ela ergueu os olhos e sorriu. — Claro que não. Por que você diria isso?
João deu um sorriso de canto. — Então me beija para eu ver. Quando estava sem memória, você beijava feito uma iniciante.
— Mas, antes de perder a memória, a gente se beijou bastante.
No quarto silencioso, as respirações pesadas e as batidas do coração ficaram absurdamente nítidas.
Os dedos longos e firmes de João seguraram o queixo dela, e ele a beijou com vontade.
Foi um beijo ainda mais profundo que o da última vez.


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