"Você foi embora?" Ângela não conseguia acreditar; ele realmente tinha ido embora sem sequer se despedir dela. Imediatamente, ela se sentiu magoada e reclamou: "Por que você não falou nada pra mim?"
Mas ela só se permitiu esse pequeno desabafo. Logo em seguida, perguntou: "Então, à noite você vem me buscar?"
"Vá sozinha." Renan respondeu de forma displicente e desligou o telefone.
"Mas…" Ângela ainda queria dizer algo, mas do outro lado da linha já não havia mais resposta.
Katarina saiu do quarto após trocar de roupa. Renan olhou para ela e pareceu satisfeito.
Ao saírem da sala VIP, o gerente e as funcionárias já os aguardavam.
O gerente foi o primeiro a elogiar: "Diretora Serpa, esse vestido parece que foi feito sob medida para a senhora."
Uma das funcionárias concordou: "É verdade, esse vestido ficou exposto na loja por tanto tempo, esperando alguém que pudesse realmente usá-lo. Hoje finalmente encontramos essa pessoa."
"Façam o penteado para ela." Renan ordenou ao gerente.
O gerente respondeu com respeito: "Claro."
A loja de alta costura da MIC não vendia apenas roupas, mas também oferecia produção completa.
Normalmente, quem comprava um vestido de gala ali podia solicitar que a equipe preparasse todo o visual.
Mas o processo era um pouco demorado. Katarina sentou-se ali, de olhos fechados, quase pegando no sono.
Até que a maquiadora a "acordou": "Diretora Serpa, por favor, dê uma olhada."
Ela abriu os olhos e se viu no espelho. Talvez nunca tivesse se arrumado de forma tão elaborada antes, pois o reflexo lhe parecia quase estranho.
O gerente e as funcionárias ficaram de olhos arregalados, confirmando o ditado de que não existem mulheres feias, apenas mulheres que não investem em si mesmas.
Mas Katarina já tinha uma beleza natural: seus traços eram delicados e, naquele rosto levemente ovalado, transmitiam imponência.
Renan também ficou por um instante surpreso; ela estava totalmente diferente da pessoa que ele costumava ver.
O olhar de Renan pousou sobre a mão dela e, como se fosse ao acaso, perguntou: "E a aliança?"
Katarina olhou instintivamente para a mão nua. Quando se casaram, Renan lhe dera uma aliança — eram alianças de casamento, mesmo sem terem feito festa.
Mas, depois de alguns dias, ela percebeu que Renan nunca a usava; a dele continuava guardada na caixinha até hoje.
Depois disso, ela também tirou a sua, para evitar que as pessoas lhe perguntassem sobre o casamento, pois ela mesma não sabia se dizia que era casada ou não.
Já fazia cinco anos que não usava, só agora ele reparou.
"No trabalho não é prático, então tirei." Katarina explicou sem pensar muito.
Renan, em silêncio, pegou uma caixinha do porta-luvas. A caixa tinha o símbolo exclusivo da MIC.
Ao abri-la, havia dois anéis dentro, ambos com o mesmo design.
Renan segurou a mão de Katarina e colocou o anel no dedo anelar da mão esquerda dela.

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