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QUEM EU ERA - A secretária que desafiou o CEO romance Capítulo 3

Ele...

O hotel parecia mais sufocante do que nunca.

Um dia inteiro mergulhado em reuniões, contratos, prazos e discussões intermináveis com executivos que, sinceramente, eu não sabia como haviam conseguido seus cargos.

E, no meio de tudo isso, ela.

Sempre ela.

Hayla Baker.

Precisa.

Eficiente.

E, ao mesmo tempo, irritantemente provocante.

Se não bastasse a forma como ela conseguiu, de algum jeito, me tirar do sério durante o expediente, agora tudo que eu queria era um momento de silêncio.

Um whisky.

E cinco malditos minutos sem ter que mandar alguém fazer o trabalho direito.

Então desci até o bar do hotel.

O ambiente estava cheio, mas não lotado.

Luzes baixas, música ambiente e aquele cheiro de madeira polida misturado com álcool caro.

Me sentei no balcão, pedi um whisky duplo, e respirei fundo.

O tipo de pausa que eu merecia.

Ou achava que merecia.

E foi então que a vi.

Ela.

Sentada sozinha em uma mesa próxima à janela.

Uma taça de vinho nos dedos, e aquele olhar de quem não se abala por nada.

Claro.

Porque Hayla Baker não sabia, ou fingia não saber, que havia uma linha muito tênue entre a competência e a provocação descarada.

Ela não me viu.

Ainda.

A observei por alguns segundos.

O jeito como segurava a taça, como levava o vinho aos lábios com uma calma calculada quase velada.

O movimento dos dedos traçando distraidamente a haste de cristal.

Como se cada gesto fosse ensaiado.

E, quando nossos olhares finalmente se cruzaram, foi como se o resto do bar tivesse deixado de existir.

Ela não desviou.

Não sorriu.

Não pareceu surpresa.

Apenas me olhou.

Longos segundos. Longos malditos… segundos.

Depois, desviou.

Como se eu fosse qualquer coisa.

Como se eu não fosse… nada.

Arqueei uma sobrancelha.

Abusada.

Pedi mais uma dose.

Poderia simplesmente ignorá-la.

Poderia.

Mas, claro, eu não sou esse tipo de homem.

Levantei, com o copo na mão, e fui até a mesa dela.

Meus passos firmes, decididos.

Cada músculo do meu corpo gritava que aquilo era uma péssima ideia, mas havia algo nela, algo que eu não conseguia, e nem queria, ignorar.

Ela me viu se aproximando.

Não disfarçou.

Não fingiu surpresa.

Apenas observou, como se já soubesse que eu faria isso.

Parei ao lado da mesa.

— Eu imaginei que, depois de um dia inteiro, você iria querer distância de mim, senhorita Baker. — Cruzei os braços, olhando-a de cima.

Ela ergueu os olhos, os lábios desenhando um meio sorriso, calmo, controlado.

— Acredite, eu também imaginei — Respondeu, levando a taça até os lábios.

— Mas, infelizmente, o hotel não é grande o suficiente para isso.

Senti meu maxilar travar.

Não sei se pelo tom.

Ou pelo fato de que ela estava absolutamente certa.

— E você costuma beber sozinha? — perguntei, minha voz mais baixa, arrastada.

Ela apoiou a taça na mesa e ajeitou-se na cadeira, cruzando as pernas de maneira que, se fosse provocação, estava funcionando.

— Costumo — respondeu, simples.

— Homens têm a péssima mania de achar que, só porque uma mulher está sozinha, é um convite.

Soltei um riso curto, quase sem humor.

— Talvez... — Levei meu copo aos lábios — Talvez, às vezes, seja.

— Comigo, não é — respondeu, firme, mantendo o olhar no meu.

Ela era boa nesse jogo.

Diabos, era muito boa.

Inclinei-me levemente, apoiando uma mão no encosto da cadeira dela, me abaixando apenas o suficiente para que minha voz roçasse seu ouvido.

— Você está provocando, Baker. E acredite, eu não sou do tipo que recua fácil.

Ela virou o rosto, ficando a centímetros do meu.

Capítulo 3 – Uma Linha que Nunca Deveria Ser Cruzada 1

Capítulo 3 – Uma Linha que Nunca Deveria Ser Cruzada 2

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