Ela...
Sabe o que mais me irrita em homens como Gregori Klaus?
Essa convicção absurda de que qualquer migalha de atenção deve ser tratada como um presente dos deuses.
O recado foi claro quando ele me deixou sozinha no quarto, como quem encerra um contrato informal depois de uma negociação bem-sucedida de corpos.
Tudo bem.
Eu seria hipócrita se dissesse que a noite não foi espetacular.
Mas foi só isso.
Sexo.
Um erro movido a álcool, tensão e um autocontrole que, claramente, não existiu.
E agora, ele acha que um convite para almoço pode resolver o quê, exatamente?
Um prêmio?
Um reconhecimento? Ou uma espécie de acordo silencioso do tipo: "Sim, te fodi, mas toma aqui um almoço para disfarçar"?
Patético.
Desnecessário.
Se ele quer companhia, que chame uma das recepcionistas sorridentes ou qualquer uma daquelas mulheres dispostas a jogar confete no ego dele.
Eu? Não.
Eu não sou essa mulher.
A recusa que ele levou não foi só uma resposta.
Foi um lembrete.
“Eu não sou parte do seu jogo, Klaus.”
E sim, talvez eu esteja exagerando.
Talvez esteja dramatizando mais do que deveria.
Mas quem não se posiciona, vira tapete.
E tapete, senhor Klaus, eu nunca fui.
Voltei para o hotel batendo os saltos no piso como se cada passo dissesse: "Engole essa."
Subi direto para o quarto, pedi meu almoço, coloquei uma playlist de jazz só para me lembrar que classe é algo que se carrega na alma, mesmo quando se quer jogar uma garrafa na cabeça de alguém.
Comi.
Respirei.
Tomei um banho longo, demorado, e silenciei qualquer pensamento que começasse com “E se…”.
No dia seguinte, claro que, como toda boa ironia do universo, a paz que eu desejei não existia.
Cheguei cedo no escritório improvisado.
E, antes mesmo de colocar os pés na sala, já ouvi aquela voz grave, impaciente e deliciosamente insuportável ecoando pelo corredor.
Suspirei.
Ótimo.
A fera acordou no modo CEO insuportável.
Que novidade.
Ajustei o blazer.
Levantei o queixo.
E entrei.
— Bom dia, doutor Klaus. — Minha voz saiu perfeitamente controlada, como se nada estivesse fora do lugar.
Ele nem levantou os olhos do Iped.
— Você está atrasada.
Chequei o relógio.
Oito e dois.
Sério? Dois minutos?
Respirei fundo, mantendo a compostura.
— Desculpe. Elevadores. — Respondi, sem rodeios.
Ele finalmente ergueu o olhar, avaliando se valia a pena começar o dia brigando.
Decidiu que não.
Que bom!
— Certo. Sente-se. Temos trabalho acumulado.
Caminhei até minha mesa, onde uma pilha de documentos parecia me olhar e dizer: "Bom dia, trouxa."
— Preciso que revise os relatórios de desempenho de todas as unidades antes do almoço. — Disse, como quem pede um café, não quilômetros de planilhas.
Arqueei uma sobrancelha.
— Antes do almoço? — Cruzei os braços.
— São o quê? Trinta?
Ele sequer piscou.
— Trinta e dois. — Corrigiu, com a serenidade de quem não tem um pingo de empatia.
Perfeito.
Ele realmente quer me matar.
Respirei fundo.
— Tudo bem. Vou começar.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: QUEM EU ERA - A secretária que desafiou o CEO