Era hora do café da manhã. Alexia segurava a colher na mesma mão na qual sua cabeça repousava. Completamente inexpressiva e sem ânimo, espetava a comida no prato. Preocupado, Jonas a observava de vez em quando para vê-la pegando alguns pedacinhos de comida. De repente, ele se enfezou e jogou a colher na tigela de mingau à sua frente. Assustada com a atitude dele, Alexia o encarou e os dois ficaram se entreolhando por um tempo. Por fim, ele disse, mostrando certa irritação:
“Por que está com essa cara? O que está acontecendo com você que eu não sei?”.
Jonas a observou mais atentamente e, assim que ela suspirou e gesticulou com a cabeça, ele se levantou bruscamente fazendo sua cadeira cair. Tal atitude fez Alexia se assustar e levantar-se de sua cadeira também. Por fim, ele soltou um sorriso e disse com seriedade:
“Alexia, não me faça pensar que você ainda ama aquele canalha. Se realmente ama, vou ficar magoado”.
Rapidamente ela se aproximou dele e segurou sua mão, mas ele se afastou. Confusa, ficou um tempo contemplando as mãos dele e, finalmente, disse:
“Eu... não fique assim, Joe. Não tem sido fácil para nenhum de nós esse tempo todo. Você deve saber melhor que ninguém que as memórias não desaparecem de uma hora para outra e não abandonamos nossas emoções por vontade própria. Prometo que serei forte o suficiente até o ponto de você nem me reconhecer mais!”.
A seriedade de Jonas finalmente deu lugar a um sorriso. Ele segurou a mão dela e a fez sentar novamente. No entanto, sem ânimo, ela continuou observando-o até que ele se sentasse também. Ampliando seu sorriso, Jonas disse:
“Estou sempre sorrindo na sua frente. Faço isso porque não quero que se preocupe comigo. Lexie, eu amo você e não quero que se machuque. Esqueça aquele relacionamento e vamos tentar outros”.
Ainda sorrindo e fazendo uma cara animada, disse:
“Você se lembra dos seus amigos da faculdade com quem modelou? Os dois vice-campeões do concurso quando você ganhou sua primeira medalha?”.
Mostrando certa alegria, Alexia perguntou:
“E quanto a Christine e Joy?”.
Ele gesticulou com a cabeça e respondeu:
“Também me lembro delas. Você está pronta para entrar na empresa de modelos agora?”.
Recebendo as orientações da funcionária, Alexia seguiu correndo para o salão de ensaios, pois já estavam praticando. Tentou tirar os tênis enquanto corria e, ao chegar à porta, praguejou:
“Droga, eu não deveria estar atrasada no meu primeiro dia”.
Empurrou a porta com o ombro, mas acabou caindo no chão. Já preparada para a dor, fechou os olhos, mas alguém com braços musculosos a segurou. Assim que abriu os olhos, viu um belo rosto com covinhas nas bochechas. Mais do que depressa, levantou-se, pigarreou e se desculpou.
“Desculpe! Eu deveria ter tomado cuidado”.
Depois seguiu correndo para dentro do ambiente que estava ligeiramente escuro, onde várias mulheres se agrupavam em uma fila. Em segundos, juntou-se ao grupo, mantendo o corpo e a cabeça alinhados como as demais. Olhou ao redor e, bem à frente delas, havia uma cadeira no pódio. Procurou o dono, mas só viu o homem, que minutos atrás havia encontrado, caminhando até o assento. Suspirou profundamente e colocou a mão sobre o peito com a intenção de acalmar seu coração.
O jovem puxou a cadeira para se sentar, pigarreou um pouco, e Alexia continuava a contemplá-lo. Estava todo de preto - calça jeans, sapatos e camisa, que contrastavam com sua pele extremamente clara. No momento em que tentava observá-lo mais de perto, ele começou a falar com uma voz grave e magnética.
“Dê um passo à frente a última pessoa que entrou aqui”.

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