O quarto ficou em silêncio.
O olhar de Arthur recaiu sobre Helena e, por um momento, ele hesitou.
Mas o projeto médico era o maior planejamento do Grupo Ferreira nos últimos anos e não podia sofrer imprevistos.
A Farmacêutica Alencar era a chave.
A Helena não tinha se machucado.
Pensando nisso, ele respondeu baixo: — Sr. Rossi, o que é preciso fazer para perdoar a Sophia?
Ao ouvir isso, a mão de Helena caída ao lado do corpo se fechou em um punho e foi segurada por Joana.
Ela levantou a cabeça e deu um sorriso para indicar que estava bem. Seu olhar cruzou bem com o de Enzo.
— Venha cá.
Ele quase deu uma ordem. Seus olhos negros pareciam tingidos por uma escuridão sem fim.
Sem saber o motivo, ela obedeceu e foi até ele.
Sua mão foi puxada e então uma pequena faca prateada apareceu em sua palma.
— Vá e corte o rosto dela. — A voz dele estava baixa e bonita como de costume, sem emoção nenhuma.
— O quê?
Ela murmurou chocada, encontrando os olhos sérios de Enzo.
No quarto, todos ficaram assustados com Enzo.
Menos Heitor.
O irmão mais novo conseguiria se tornar herdeiro justamente por ser muito parecido com o pai: decicivo e impiedoso. Ninguém podia machucá-lo sem pagar um preço.
— Enzo, as duas famílias ainda vão cooperar, não faça algo tão extremo. A Sra. Ferreira nem fez questão de cobrar isso...
Enzo levantou a mão machucada e respondeu com voz mansa: — Heitor, cuidado ao tomar o lado de fora, pode torcer o braço.
Heitor não conseguiu dizer mais nada.
— Vá.
Enzo abaixou a mão. Ondas surgiram nos seus olhos negros, encarando-a intensamente: — Se não quer continuar sendo humilhada, se defenda.
Nesse momento, ela olhou para Enzo, atordoada.
Alguém já havia dito essa frase para ela antes.
Lembrou-se de tudo o que Sophia já tinha feito no passado, e que se aquele ácido de agora tivesse caído nela, teria sido corroída. E Enzo realmente teve a mão ferida.
Ela apertou o cabo da faca e seu olhar ficou aos poucos mais duro.
Sophia viu a faca se aproximando, levantou do chão de repente e se jogou contra Helena.
Foi quando a mão grande de Enzo tocou nas costas de Helena e ele deu um leve empurrão.
A lâmina prateada perfurou a carne e um sangue vivo pingou do braço de Sophia.
O grito agoniado de Sophia soou na orelha no mesmo instante.
Tudo aconteceu muito rápido, rápido demais para que Helena ou qualquer outra pessoa pudesse reagir.
O corpo dela formigou e o coração disparou. Tinha a satisfação da vingança, mas também o susto de ferir alguém. Ela só ficou lá parada.
— Arthur... Arthur... — Sophia gritou tristemente, em um estado miserável como um cão abandonado prestes a morrer.
O ferimento no braço foi pressionado por Arthur.
Arthur não olhou para ela, olhou para Enzo com frieza e com um aborrecimento muito claro nos olhos.
Aquele homem...
— Srta. Alencar, se tiver ressentimentos por esse corte e quiser vingança, lembre-se de vir atrás de mim.
Quando as palavras de Enzo pesaram no ar, Helena voltou a si e olhou para ele sem perceber.
— Então tome cuidado. — Joana estava furiosa: — Julia, e você também, segurança, vejam se ficam mais perto.
Julia e Lince acenaram com a cabeça.
O olhar de Helena se voltou para o quarto sem perceber. Através da fresta da cortina, ela encontrou os olhos de Enzo. O olhar dele parecia atravessar as quatro estações.
Ela abaixou os olhos e saiu seguindo Carlos.
O celular tocou quando ela saiu do hospital.
Viu que era uma ligação do Oficial Souza.
— Entrem no carro primeiro. — Ela dispensou Carlos e os outros antes de atender.
— Sra. Ferreira? Estava me procurando.
— Oficial Souza, os arquivos do Sr. Rossi foi você quem entregou. Lembra de ter colocado duas fotos a mais, minhas com o Sr. Ferreira? — Helena perguntou.
— Não. — Oficial Souza respondeu. — O que dei para ele foi exatamente a mesma coisa que dei para você.
Ela lembrou que o documento de Enzo era mais detalhado que o que Souza deu a ela, com informações de uma investigação própria. As fotos deveriam ser dele mesmo.
Agora só havia uma maneira de descobrir se as fotos que o Enzo encontrou eram verdadeiras.
Ela respirou fundo levemente: — Pode me enviar agora as filmagens da ambulância daquela época?
— Posso sim. — Souza desligou.
Enquanto esperava, ela ficou andando de um lado para o outro na entrada do prédio de internação. Seu olhar varreu para o andar de cima e ela esbarrou por acaso com o olhar investigador de Clarissa pela janela.
O celular apitou naquela hora.
Ela desviou o olhar, abriu o Whatsapp de Souza e deu play no vídeo das câmeras.
Arthur a colocou na ambulância. O terno limpo e bem arrumado dele foi sendo pintado pelo sangue dela...
Suas pupilas contraíram em choque!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Rainha dos Chips: Ex-marido não tem valor
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