Helena observava as feições bonitas de Pietro, mas a pessoa que sempre surgia em sua mente era Enzo: — Sinto muito...
Antes que ela terminasse, o celular em sua bolsa tocou.
Pietro soltou sua mão: — Atenda o telefone primeiro.
— Certo.
Helena pegou o celular e viu que era sua mãe. Atendeu rapidamente, sentindo uma leve ansiedade.
Havia avisado que dormiria na casa de Joana aquela noite. Se não fosse nada importante, sua mãe não ligaria.
— Mãe?
— Helena, venha rápido para a Delegacia de Polícia!
— Chego já!
Helena desceu do balanço nervosa, e como havia bebido bastante, não conseguiu se equilibrar direito. Pietro segurou seu braço.
— O que aconteceu?
— Meu filho... — Ela o olhou, assustada. — Brigou com alguém e foi parar na delegacia...
— Eu vou indo!
Helena o empurrou para sair, mas ele a segurou mais firme, puxando-a de volta.
— Você bebeu muito, não pode dirigir.
— Posso pedir a um motorista.
— Eu também estou de saída, vou levar você — disse Pietro.
— Não precisa. — Helena tirou a mão dele de si.
Mas ele a segurou novamente.
Antes, a mão dele apenas repousara levemente sobre o dorso da mão dela segurando a corda do balanço, mas agora a envolvia completamente.
— Helena, agora estou me preocupando com você e com seu filho como um amigo.
— Se eu estivesse bêbado e a minha filha brigasse com outras crianças, tenho certeza de que você também ajudaria se visse — disse Pietro calmamente.
Helena viu Joana e Bruno se aproximando com expressões preocupadas, como se fossem perguntar o motivo. Em um dia tão bom, ela não queria estragar o humor deles com seus problemas, e não tinha tempo para discutir com Pietro. Retirou a mão: — Tudo bem, obrigada.
— Joana, nós já vamos.
Joana viu os dois saindo juntos e imediatamente sorriu, virando-se para Bruno: — Pronto, seu amigo perdeu a chance.
Limusine Imperial L9, no banco de trás.
O corpo de Helena estava mole devido ao álcool, mas sua mente estava excepcionalmente clara, lembrando que a mãe havia mencionado no telefone que uma garotinha estrangeira tinha pulado o muro e entrado em casa...
O rostinho delicado de Kristin apareceu em sua mente.
Sua mente estava confusa e seu coração doía ainda mais.
Se ele tinha dito para não aparecer, por que continuava aparecendo...
— Não fique nervosa, é normal crianças brigarem — Pietro confortou.
— Uhum.
Helena apertou o coração.
Mas Léo não era uma criança qualquer.
Ela ficaria triste, de coração partido, até mesmo...
Helena cobriu o coração suavemente. Não conseguia enganar a si mesma.
Ele a havia beijado à força, e ela ainda tinha sentimentos.
Mas eles nunca poderiam voltar a ser o que eram.
As lágrimas escorreram e ela ergueu a mão para limpá-las.
Chegaram.
— Obrigada, Secretário Valente.
Helena desceu, fechou a porta e entrou na delegacia a passos largos. Assim que entrou, viu dois grupos de pessoas puxando suas respectivas crianças, e no meio estava seu golden retriever, [Dengo].
Cada criança suja puxava uma orelha do cachorro. Ao vê-la entrar, [Dengo] choramingou de dor.
— É meu cachorro!
— É meu!
Helena rapidamente se aproximou, afastou as mãos de Léo e Kristin e protegeu [Dengo] atrás dela.
— Mamãe! — Léo se jogou em seus braços.
Helena abraçou Léo e, sem perceber, seu olhar encontrou Raul e Lince. Os dois abaixaram a cabeça, envergonhados, e recuaram puxando Kristin.
Um policial se aproximou naquele momento.
— Sra. Martins, essa menininha afirma que esse cachorro é dela.

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