Max foi tirado da caminhonete naquele momento logo atrás dela que estava perdendo a calma, ele estava cambaleando, enquanto um médico tentava avaliar o ferimento em seu lado e ele se afastou para chegar até ela, mas não conseguiu ir muito longe. Seu rosto estava pálido, e o sangue ensopava sua camisa, mas ele mal parecia perceber. Seus olhos só procuravam Julieta.
— Julieta! — chamou, sua voz fraca, mas carregada de desespero.
Ela virou a cabeça para ele, estendendo uma mão trêmula.
— Estou aqui...! — conseguiu dizer, entre lágrimas e um gemido de dor a atravessou como um raio— . Max... não me deixe... não posso fazer isso sozinha... fizemos... fizemos aquele curso, lembra? — disse desesperada.
Claro que se lembrava, eram dias tranquilos naquela época que os fizeram se conectar num nível mais pessoal e não físico como no início de seu relacionamento.
Os médicos tentaram intervir.
— Senhora, ele tem que cuidar de seu ferimento. Senhor, tem que vir conosco para tratar do ferimento — disse uma enfermeira com firmeza, tentando colocá-lo numa maca.
— Não vou para lugar nenhum que não seja ao lado da minha mulher e minha filha! — resmungou Max, afastando-a e cambaleando em direção a Julieta— . Quero estar com ela, depois pode me atender o quanto quiser.
Mas antes que pudesse chegar ao seu lado, suas pernas cederam, e dois enfermeiros tiveram que segurá-lo para que sua queda não fosse pior.
— Max, não! — Julieta começou a chorar, enquanto uma contração mais forte a fez gritar e se arquear sobre a maca.
Tomás se aproximou rapidamente de Max, segurando-o pelo braço.
— Escute, não somos amigos, mas deve se cuidar. Julieta jamais me perdoaria — disse, com uma mistura de urgência e autoridade em seu tom— . Deixe-me ficar com ela. Te prometo, não vou sair do lado dela. Você precisa se cuidar. Se não fizer isso, nenhum dos dois ficará bem.
Max negou com a cabeça, lutando contra as lágrimas e a dor.
— Ela precisa de mim... — tentou se levantar da maca onde o haviam colocado entre três.
— Max, agora você precisa mais que te atendam — insistiu Tomás, olhando-o diretamente nos olhos— . Julieta não me perdoaria se deixasse você sangrar até a morte no meio da emergência. Eu cuidarei dela. Te juro, mas deve colaborar com os médicos para que conheça sua filha.
Os olhos de Max se encheram de frustração e angústia, mas finalmente assentiu com um leve movimento.
— Não a deixe sozinha — murmurou, enquanto os médicos o levavam numa direção diferente, o pegou pela camisa e o trouxe para perto— não pode acontecer nada com ela. Não. A. Deixe. Sozinha.
Tomás apertou seu ombro com firmeza antes de voltar para Julieta, que agora chorava descontroladamente enquanto as contrações eram cada vez mais seguidas.
— Tomás... Max... — soluçava, enquanto os enfermeiros corriam pelo corredor em direção à sala de maternidade— estou assustada, não posso fazer isso sozinha.
— Shhh, calma — disse ele, pegando sua mão com força— . Estou aqui com você, sempre juntos. Max ficará bem. Só se concentre em você e no bebê. Além disso, não quero perder o nascimento da minha sobrinha — faz uns gestos com as mãos que fazem Julieta rir e soluçar ao mesmo tempo.
Julieta respirava com dificuldade, cada contração mais intensa que a anterior.
— Tenho medo — confessou, olhando para Tomás com olhos transbordando lágrimas— ele... ficará bem?
— Sei disso, eu também tenho medo — respondeu ele, com voz suave, apertando sua mão— . Mas você é mais forte do que imagina, e não está sozinha. Vamos superar isso juntos.
As portas da sala se fecharam atrás deles, enquanto Julieta era preparada de urgência para o parto. Do outro lado do hospital, Max, deitado numa maca, lutava contra a dor física e emocional, com uma única súplica em sua mente: "Que Julieta e seu bebê estejam seguros".
Finalmente, o técnico que operava o ultrassom ligou a máquina. Callum se inclinou para frente, com o coração apertado. A tela se encheu de sombras e manchas borradas no início, mas então...
— Aqui está — disse o técnico, apontando um pequeno ponto na tela.
Callum sentiu que o mundo parou. Um pontinho diminuto, quase imperceptível, brilhava no meio de um saco escuro. Era seu filho. Sua respiração ficou pesada, e uma torrente de emoções o invadiu. Seu peito subia e descia rapidamente enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas que lutava para não derramar.
— Está... está bem? — perguntou com a voz quebrada.
— Tudo parece estar bem até agora — respondeu o técnico— . É muito pequeno ainda, mas não há sinais de dano.
Callum soltou o ar que não sabia que estava segurando. Sua mão se moveu instintivamente em direção à tela, como se pudesse tocar aquele pequeno ser que já havia mudado tudo em sua vida.
— Obrigado... obrigado... — sussurrou, incapaz de articular algo mais.
Isabel murmurou algo em sonhos, sua voz apenas um suspiro, e Callum se inclinou para ela, pegando sua mão fria entre as suas.
— Meu bebê... Callum — murmurava sonolenta.
— Estou aqui, Isabel. Estamos bem... nós três estamos bem — a assegura.
Pela primeira vez em horas, um leve sorriso apareceu em seu rosto enquanto suas lágrimas rolavam silenciosamente e o técnico lhes dava privacidade.
Numa das salas de cirurgia nem tudo ia bem... um dos monitores de sinais vitais não marcava a frequência cardíaca do paciente e os médicos trabalhavam para reanimá-lo.

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