Julieta sabia que não seria a última vez que veria Liliane. Aquela mulher tinha um olhar perturbador, e só a ideia de que rondasse perto da Torre Hawks a inquietava profundamente. Por isso, tomou a decisão de redobrar a segurança do prédio e, imediatamente, conversou com Max em seu escritório.
— Ela veio até aqui — disse Julieta, com os braços cruzados enquanto caminhava de um lado para o outro. — Trouxe um carrinho, Max. E dentro, só havia um ursinho de pelúcia. Não gosto nada disso.
Max, sentado no sofá, franziu a testa.
— Se o que você me contou é verdade, e o bebê realmente morreu... — fez uma pausa, pensativo. — Pode ser que tenha perdido a cabeça.
Marcelo, que estava de pé perto da porta, assentiu com gravidade.
— Temos que ir com pés de lhumbo, senhorita Beaumont. Liliane é imprevisível, e alguém como ela poderia fazer qualquer coisa para conseguir o que quer — franziu o cenho preocupado.
Antes que Julieta pudesse responder, o telefone de sua mesa começou a tocar. Matthew, um dos funcionários da torre, falava com tom apressado.
— Senhorita Beaumont, a senhora Isabel está aqui e pede para vê-la — falou sempre profissional.
Julieta trocou um olhar com Max e Marcelo. Embora estivesse preocupada com o que Isabel pudesse precisar, seu instinto lhe disse que deveria recebê-la.
— Mande-a entrar — ordenou, sem hesitar.
Assim que Isabel cruzou a porta, seus passos a levaram diretamente até Julieta. Sem dizer palavra, a abraçou com força, como se precisasse encontrar consolo nesse gesto.
— Obrigada por me receber — murmurou Isabel, com a voz quebrada.
Julieta correspondeu ao abraço, tentando transmitir-lhe algo de calma.
— Não se preocupe. O que acontece, Isabel? — perguntou preocupada.
Max e Marcelo observaram de um canto, respeitando o momento, mas a tensão no ambiente era palpável. Havia algo na forma como Isabel tremia que sugeria que trazia notícias importantes... e talvez perigosas.
— O que acontece, Isabel? — foi Max o primeiro a perguntar, com o cenho franzido.
Isabel respirou fundo, como se estivesse prestes a soltar uma bomba, e o fez:
— Preciso que me ajudem a planejar um sequestro — disse, segura e sem titubear.

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