Brigitte
Fernando havia me escrito que precisava me ver para discutir como resolver a questão das ações da Hawks Holding. Não entendia por que havia escolhido um bar tão vulgar para nos encontrarmos, mas lá estava eu, tentando não tocar muito nas superfícies e observando a clientela com uma mistura de desconforto e nojo.
Me sentei num banquinho junto ao balcão, cruzando as pernas e ajeitando o blazer do meu terno. O ambiente cheirava a cerveja rançosa e frituras, algo que me irritava profundamente.
Menos de dez minutos depois, Fernando apareceu, exibindo seu costumeiro terno impecável. Seu olhar varria o lugar com desdém. Aparentemente, o bar também não era do agrado dele.
— Vamos para uma mesa — disse sem se dar ao trabalho de cumprimentar.
O segui até uma mesa mais afastada, um lugar onde pelo menos o barulho era menor e os cheiros não eram tão intensos.
— Que plano você tem? — perguntei enquanto me acomodava, cruzando os braços sobre o encosto da cadeira.
— Vamos beber alguma coisa primeiro. Estes últimos dias tenho estado estressado — respondeu, levantando-se quase imediatamente e se dirigindo ao balcão.
O observei enquanto pedia algo para beber, me perguntando se realmente tinha algo concreto para dizer ou se isso era apenas uma desculpa para matar tempo. Fernando era brilhante nos negócios, mas sua tendência a procrastinar quando as coisas se complicavam me deixava com os nervos à flor da pele.
Tomei o drink que Fernando me entregou de um gole só, tentando acalmar a frustração que começava a crescer dentro de mim. Quando o líquido queimou ligeiramente minha garganta, olhei diretamente nos seus olhos, sem me dar ao trabalho de esconder minha impaciência.
— Vai me dizer ou não o que vamos fazer? — disparei com voz firme.
Mas, antes que pudesse continuar, algo começou a se sentir... errado. Minha língua, pesada como se fosse de chumbo, mal me deixava articular palavras. Minha visão começou a se distorcer e minha cabeça girava como se o mundo estivesse inclinando.
Balancei a cabeça com força, tentando me concentrar, mas não adiantou nada. Olhei para Fernando, esperando que ele fizesse alguma coisa, mas o que vi em seu rosto não foi surpresa nem preocupação. Foi nervosismo. Medo?
— Sei que somos cúmplices em muitas coisas... — começou a dizer, sua voz soava distante, como se estivesse a quilômetros de distância— . E na cama, bem, nos damos bem. Mas era você ou eu, e eu não quero morrer...
Suas palavras bateram como um tapa antes que todo meu corpo cedesse. Senti como caí para frente, a mesa se aproximando perigosamente rápido. Tudo dentro de mim gritava para me levantar, me defender, mas não conseguia mover nem um dedo.
Haviam me drogado.

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