Daniela Peixoto finalmente se lembrou do que tinha acontecido há pouco no restaurante.
Quando o garçom se aproximou trazendo a bandeja, Samuel Rodrigues a empurrou para o lado. Naquele momento, ela só pensava em fugir e nem percebeu que o que o garçom carregava era uma chapa de ferro fervendo.
Samuel Rodrigues se machucou para salvá-la?
Daniela Peixoto ficou paralisada. Ao sair do carro, ela o seguiu cuidadosamente, um passo atrás do outro.
Sua mente estava em branco. O bom senso lhe dizia para não se aproximar, mas seu corpo, como se tivesse vontade própria, acelerou os passos.
O homem entrou na mansão e foi direto para o elevador, a postura rígida, quase ameaçadora.
Ela imaginou que ele provavelmente iria para o quarto tomar um banho.
No passado, quando Daniela Peixoto insistia em ficar por perto de Samuel Rodrigues, passava as férias inteiras na propriedade do Grupo Rodrigues. Por isso, a família Rodrigues havia deixado um quarto só para ela, exatamente em frente ao de Samuel Rodrigues.
Por isso, ela subiu no elevador atrás dele, quase sem pensar.
O elevador residencial soou um “ding” suave quando as portas foram se fechando lentamente.
O espaço apertado, só os dois, o silêncio acentuado pela diferença de altura de vinte e dois centímetros.
Bastava o homem baixar a cabeça para que sua respiração tocasse o topo da cabeça da garota. O aroma de tabaco que vinha dele acariciava os cabelos dela, provocando cócegas leves, uma sensação elétrica.
Instintivamente, Daniela Peixoto encolheu os ombros, afastando-se um pouco mais de Samuel Rodrigues.
Mas, pelo canto do olho, não parava de lançar olhares furtivos para ele.
Deveria perguntar sobre o ferimento dele?
Afinal, ele se machucou por causa dela.
Perguntar por perguntar? No fim das contas, na vida passada, ela tinha salvado Samuel Rodrigues e acabou tendo os tendões das mãos e dos pés cortados. Agora, ele só tinha algumas bolhas causadas por queimadura — não era nada demais, certo?
Mesmo assim, para manter a imagem de alguém abnegada e apaixonada, ela achou que deveria perguntar pelo menos alguma coisa.
Afinal, Samuel Rodrigues a detestava, certamente a rejeitaria.
Pensando assim, Daniela Peixoto se sentiu aliviada do peso da obrigação.
Nesse instante, o elevador fez um “ding” e chegou ao andar certo. Quando as portas se abriram, Daniela Peixoto rapidamente segurou a barra da camisa do homem.
— Hã... Samuel Rodrigues...
Samuel Rodrigues parou e olhou para baixo, encarando a garota de olhar hesitante. Seu rosto mostrava puro desdém.
Que ironia, pensou ele.
Se não gosta, por que fingir tanto sentimento?

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