Daniela Peixoto sentiu como se seus olhos tivessem sido queimados de repente. Precisava admitir: o corpo de Samuel Rodrigues era mesmo impressionante. Ombros largos, cintura fina — parecia esguio vestido, mas forte sem camisa.
As orelhas dela ficaram vermelhas. Virou o rosto e disse:
— Vira para o outro lado.
Samuel lançou um olhar para o rosto dela, todo corado, e soltou um leve resmungo antes de virar de costas, expondo a queimadura na altura da escápula.
O ferimento não era grave, mas suficiente para incomodar. A pele estava muito vermelha, com sinais de inflamação e uma parte grande machucada.
Com as sobrancelhas franzidas, Daniela pegou o antisséptico e a pomada anti-inflamatória. Cuidadosamente, começou a medicá-lo com um cotonete.
— Dói? E... obrigada por hoje.
Mesmo sabendo que as motivações dele não eram totalmente puras, era fato: se Samuel não tivesse se colocado no caminho, a queimadura teria sido dela.
Cada coisa em seu devido lugar. Agradecer era o mínimo.
De costas para a jovem, Samuel deixou escapar um leve sorriso.
— Não dói.
A resposta saiu suave, quase carinhosa, cheia de tolerância. Quando as palavras escaparam dos lábios finos de Samuel, ele mesmo se surpreendeu.
Houve um lampejo de espanto nos olhos escuros dele.
Desde quando seus sentimentos tinham passado a ser tão afetados pelo humor de Daniela Peixoto?
Uma inquietação difícil de nomear tomou conta dele. De repente, Samuel segurou o pulso dela.
— O quê? O que houve?
Daniela ainda passava o remédio quando sentiu o clima mudar bruscamente. O homem, até então cálido e gentil como a brisa da primavera, agora exalava uma atmosfera fria e sombria.
— Pode sair.
— O quê???
Daniela, vendo aquele rosto imprevisível, ficou cheia de interrogações na cabeça.
— Tá bom.
Obediente, desceu da cama, recolheu rapidamente a caixa de primeiros socorros e saiu do quarto sem olhar para trás.

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