Daniela Peixoto ficou completamente atônita, como se tivesse levado um golpe no peito de um urso negro, quase cuspindo sangue de tanto impacto.
Por sorte, ela tinha os pés firmes no chão e não caiu com o peso do homem sobre si.
Quem o trouxe de volta foi o assistente Murilo.
Naquela noite de compromissos, o Presidente Rodrigues estava irreconhecível. Sempre tão comedido com as bebidas, dessa vez não recusou nenhuma taça, terminando a noite completamente inconsciente.
O pobre Murilo sentiu que atravessou um verdadeiro calvário no caminho de volta.
O Presidente Rodrigues, já de natureza reservada e avesso a contato físico, se tornava ainda mais difícil quando alcoolizado.
— Srta. Peixoto?!
Murilo não esperava que fosse Daniela Peixoto a abrir a porta. No instante em que Samuel Rodrigues caiu sobre ela, Murilo sentiu um calafrio percorrer a nuca.
Pronto, acabou!
— Presidente Rodrigues! Acorde! Será que o senhor não está confundindo as pessoas?
Se Samuel Rodrigues, ao acordar no dia seguinte, descobrisse que abraçou justamente a mulher que mais detestava na vida, certamente explodiria em fúria e Murilo estaria demitido antes do café da manhã.
Murilo suava de preocupação.
Srta. Peixoto já tinha um histórico duvidoso com o Presidente Rodrigues; se ela se mantivesse na linha, tudo bem, mas se resolvesse se aproveitar do momento, não seria apenas um caso de desemprego — era capaz de Samuel Rodrigues acabar com ele de vez.
— Srta. Peixoto, deixe que eu ajudo a levá-lo!
O ombro de Daniela Peixoto quase cedia sob o peso de Samuel Rodrigues. Ao ouvir a sugestão, ela concordou na hora:
— Certo, certo, por favor, pode levar ele daqui!
O assistente se preparava para ajudá-lo, mas antes mesmo de encostar, ouviu:
— Saia daqui!
A voz era fria e autoritária.
Samuel Rodrigues ergueu levemente a cabeça do colo da garota. Os olhos, vermelhos e penetrantes, estavam carregados de irritação, como a de uma fera prestes a atacar.
Murilo ficou sem palavras, percebendo que aquele desastre era inevitável.
Só podia torcer para que, ao acordar, o Presidente Rodrigues lembrasse que tudo aquilo havia sido escolha dele mesmo.
— Srta. Peixoto, o Sr. Samuel não gosta de ser tocado. Eu realmente não posso ajudar… Por favor, leve-o para o quarto e deixe-o descansar.
— Ei! Espera aí, não vá embora!

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