—Aqui, desenhe uma linha auxiliar...
O escritório estava em silêncio.
Narciso Farias explicava um exercício de geometria para Daniela Peixoto.
Do lado de fora, ouviram-se algumas batidas firmes na porta.
—Criiic...
A porta se abriu. Samuel Rodrigues entrou carregando seu notebook e uma pilha de remédios.
Seus movimentos eram leves, o rosto sereno e calmo. Ao entrar, apoiou o joelho na porta, fechando-a com um ruído quase imperceptível.
Seguiu direto até o sofá, sentou-se e abriu o computador.
O barulho do sistema iniciando soou no ambiente silencioso, e só então Daniela Peixoto percebeu que Narciso Farias tinha parado de explicar o exercício fazia um bom tempo.
Ela estava prestes a chamá-lo de volta à explicação, quando Samuel Rodrigues, do sofá, lançou um olhar distraído a Narciso Farias e disse em tom grave:
—Continuem a aula. Não deixem que eu atrapalhe.
Narciso Farias franziu a testa, apertando a caneta com mais força.
Nos últimos dias, sempre que ele vinha dar aula particular para Dany, o Presidente Rodrigues aparecia.
Chegaram até a preparar um escritório só para os três, para facilitar a convivência.
A cortesia de Samuel Rodrigues era impecável.
Mas Narciso Farias sabia que essa gentileza não passava de formalidade adulta.
O clima no ar era tenso, quase hostil.
O Presidente Rodrigues deixava clara sua hostilidade.
—Samuel Rodrigues, você realmente consegue trabalhar aqui em paz? —Daniela Peixoto fez uma careta.
Dizia que não atrapalhava, mas sua mera presença já era a maior distração para ela.
O homem à frente do sofá já digitava no teclado, ajeitou os óculos de armação dourada com um gesto elegante, e a lente refletiu um brilho azulado.
Ele mantinha os olhos fixos na tela, expressão concentrada no trabalho, e respondeu de maneira seca:
—Sem problema.
No início, Daniela Peixoto ficava nervosa, desconfortável com aquela situação. Agora, já estava anestesiada.
Chegou até a desconfiar: seria possível que Samuel Rodrigues estivesse interessado em Narciso Farias?
Dois dias seguidos, e sempre que Narciso Farias vinha, ele também aparecia para trabalhar ali.
Daniela já tentou, de forma delicada, pedir para ele sair ou mudar a aula para outro lugar mais tranquilo.
Em vão.
Ele ficava irritado.

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