—Não importa o que você esteja pensando, só quero te dar um conselho: não se aproxime mais da Aldeia D.
Daniela Peixoto lançou um olhar frio para Ceci e saiu do quarto do hospital sem olhar para trás.
Assim que cruzou a porta, deparou-se com Gustavo Peixoto vindo em sua direção, segurando uma bolsa de gelo nas mãos.
Ao ver o irmão mais velho com o gelo, Daniela sentiu um calor inesperado invadir seu peito.
—Dany, seu rosto ainda dói?
Gustavo, demonstrando culpa, encostou delicadamente a bolsa de gelo na bochecha avermelhada dela.
—Já expliquei tudo ao papai. Ele não deveria ter te batido. Me deixe pedir desculpas por ele.
Os olhos de Daniela se encheram de lágrimas. Ela não precisava de muito, só queria que, quando se sentisse ferida, alguém se importasse, alguém lhe desse carinho.
Saber que o irmão pensava nela a tocou profundamente.
—Por que você está pedindo desculpas? Não foi você quem fez isso. Cada um deve arcar com seus próprios erros.
—Mas...
Gustavo hesitou, e aqueles olhos castanhos, tão parecidos com os de Daniela, mostraram a dúvida e o sofrimento que ele sentia.
O coração de Daniela afundou repentinamente, tomada por um mau pressentimento.
—Você tem mais alguma coisa pra me contar, Gustavo?
Ele mordeu o lábio, colocou a bolsa de gelo de lado e abriu um tubo de pomada para o inchaço, começando a aplicar no rosto de Daniela enquanto falava:
—Descobriram que Ceci está com insuficiência renal, e é crônica. Não tem cura. Dany, quero te pedir uma coisa. De agora em diante, tudo de melhor que eu tiver será para você, vou cuidar só de você, mas... será que você pode deixar a Ceci ficar?
Daniela estremeceu, e todo o sangue pareceu sumir do seu rosto.
O que tinha que acontecer, aconteceu.
Insuficiência renal...
Daniela achou tudo aquilo quase irônico.
Agora o irmão dizia que tudo de bom seria para ela, só pedia que deixasse Ceci ficar. Mas e depois? Quando Ceci piorasse, pediriam que ela cedesse o que era seu para Ceci? E, no final, quando Ceci estivesse morrendo, pediriam a Daniela que doasse um rim?
Ela era carente, sim, se contentava com pouco.
Mas depois de tudo que viveu na vida passada, Daniela já não confiava nos homens da família Peixoto.
O que a comoveu em Gustavo foi apenas o resquício de um sentimento de família que nunca teve e que, de repente, caiu sobre ela, deixando-a atordoada.
Não deveria ter criado expectativas.
Desde o início, nunca deveria ter se iludido.
—Dany, o que foi?

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