A doença de Cecília Peixoto estava sendo muito bem ocultada, a ponto de nem ela mesma saber.
Apenas percebeu uma mudança súbita no comportamento do irmão mais velho, que passou a evitar qualquer menção sobre a ideia de que ela deveria sair de casa para seguir sua própria vida, e o pai começou a tratá-la com um cuidado redobrado.
No fundo, sentia uma ponta de alegria.
O que importava o sangue?
O vínculo sanguíneo, por mais forte que fosse, não podia superar vinte anos de convivência e afeto.
No fim das contas, o irmão mais velho não conseguia mesmo deixá-la para trás.
Ela permaneceu internada no hospital por três dias para repouso e, em seguida, voltou às aulas normalmente. Nesse meio tempo, ouviu outros boatos.
Dizia-se que Daniela Peixoto e Samuel Rodrigues haviam rompido de vez.
Naquele dia, enquanto estava no andar de cima, ouviu Susana Cavalcanti ao telefone com o patriarca da família Peixoto, discutindo os detalhes do cancelamento do noivado.
Por algum motivo, sentiu-se como se um grande peso tivesse sido finalmente retirado de seu peito, e um sorriso involuntário surgiu em seus lábios.
Dessa vez, Daniela Peixoto havia realmente desistido, não?
Sem a insistência de Daniela, Samuel Rodrigues finalmente poderia se dedicar inteiramente a ela.
Embora, por ora, ainda não conseguisse esquecer Miguel Rocha, também não queria perder Samuel Rodrigues.
— Ceci, seu irmão chegou!
A voz de Zoé Barbosa despertou Cecília Peixoto de seus devaneios.
Zoé entrou na sala com um olhar sonhador, meio envergonhada.
— Disseram que o irmão da família Peixoto subiu para o prédio com uma marmita para você, Ceci. Que sorte a sua, ter um irmão tão atencioso! Quem será que vai ter a sorte de ser sua cunhada um dia?
Cecília sorriu docemente.
— Não é bem assim. Meu irmão só sente pena de mim, já que não tenho ninguém além dele.
— Ouvi dizer que aquela Daniela Peixoto tentou convencer sua mãe a te expulsar de casa! Como pode ser tão maldosa? Ainda bem que seu irmão não caiu na dela!
Zoé Barbosa falou mal de Daniela com veemência.
— Não entendo como alguém com tão pouca educação e caráter pode ter o sangue da família Peixoto. O certo seria tirar o sangue dela e dar para você.
— De quem você quer tirar o sangue para dar à Ceci?
Uma voz fria soou perto da porta.
Gustavo Peixoto, com a marmita nas mãos, apareceu à entrada da sala de aula.
O rosto, geralmente sereno e gentil, agora estava tomado pela fúria, e seus olhos fixaram-se em Zoé Barbosa com severidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Reencarnação Amorosa: Segredos do Coração