Daniela Peixoto mordeu com força, sem demonstrar a menor piedade.
Seus dentes afiados perfuraram a pele; logo uma marca esbranquiçada apareceu no dorso da mão do homem, seguida por um fio de sangue.
Quando o gosto metálico tomou conta de sua boca, uma pontada de tristeza percorreu o coração da garota, espalhando-se rapidamente pelo nariz e pelos olhos. As lágrimas caíram teimosamente.
E caíram cada vez mais, até que ela perdeu totalmente o controle, soluçando.
Cada lágrima que despencava parecia atingir em cheio o coração de Samuel Rodrigues, que sentiu o peito estremecer.
Apesar da dor intensa na mão, nada se comparava àquela que dilacerava seu coração.
Samuel Rodrigues apertou levemente os lábios e, com a mão marcada de sangue, limpou delicadamente o rosto dela, falando com uma voz baixa e suave:
— Pronto, não chore. Hoje é seu aniversário, deveria estar feliz.
Daniela Peixoto pegou um lenço de papel para assoar o nariz, virou as costas para Samuel Rodrigues e passou a encarar a janela, ignorando-o completamente.
O carro seguiu sem obstáculos pelo caminho.
Quando chegaram ao Sol de Ouro, o hotel sete estrelas mais luxuoso da Cidade Capital, ainda eram seis e meia.
Assim que Daniela Peixoto desceu do carro, maquiadora e cabeleireira já a aguardavam à porta do hotel. Ao vê-la, rapidamente a cercaram, livrando-a com eficiência do incômodo causado por Samuel Rodrigues.
— Srta. Peixoto, você viu as fotos que a Quirina enviou ontem à noite? Qual produção você prefere?
A cabeleireira tagarelava sem parar.
Daniela Peixoto não tinha ânimo para pensar nisso; ainda não tinha se recuperado da confusão causada por Samuel Rodrigues.
— Façam como acharem melhor, não tenho preferência.
— Perfeito! Então vamos começar pelo cabelo!
Como o tempo era curto, só era possível fazer uma coloração temporária.
Enquanto cuidava do cabelo de Daniela Peixoto, a cabeleireira de repente puxou uma fita vermelha de seu pescoço.
— Srta. Peixoto, esse amuleto precisa ser retirado? Talvez não combine com o tema do visual de hoje.
Daniela Peixoto ficou um instante paralisada, o rosto tomado por um vazio repentino.
Amuleto?
Quando foi que ela pediu por um amuleto?
Ao segurar o pequeno amuleto dourado, Daniela Peixoto sentiu a memória falhar, mas logo a imagem de Samuel Rodrigues em sua casa, naquela tarde, lhe veio à mente.
Aquele amuleto lhe era familiar.
Já o tinha visto antes em Samuel Rodrigues — ele o usara por anos, raramente tirando, só aparecendo quando se despia completamente.
Agora, estava com ela. Não havia dúvida: fora Samuel Rodrigues, aproveitando-se do seu sono ao entardecer, quem o colocara em seu pescoço.

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