Daniela Peixoto ficou atônita com aquele abraço súbito e apertado, os braços entreabertos, sem saber onde colocá-los.
Sentiu que o braço ao redor de sua cintura tremia sutilmente.
O bom senso gritava que deveria afastar aquele homem, mas seu corpo não obedecia à mente: permaneceu imóvel, permitindo que Samuel Rodrigues a envolvesse ainda mais forte.
Não soube dizer quanto tempo se passou, até ouvir atrás de si a voz de Francisco Peixoto:
— Daniela Peixoto!
Naquela tarde, Francisco Peixoto pretendia buscar a irmã, mas Ceci desmaiou de repente no caminho, deixando-o apavorado.
O irmão mais velho trouxe algum remédio e garantiu que não era nada grave, o que o tranquilizou.
Só não esperava que, ao chegar ao hotel, encontraria aquele homem alto e de olhar gélido abraçando sua irmã.
Francisco Peixoto ficou extremamente incomodado.
Assim como Gustavo Peixoto, Francisco nunca simpatizou com Samuel Rodrigues.
Ao voltar nesta viagem e ouvir da mãe que Dany finalmente decidira romper o noivado com a família Rodrigues, sentiu-se aliviado.
Antes, ela se humilhava por aquele homem, e Francisco quase se envergonhava da irmã.
Além disso, não achava Samuel Rodrigues digno dela.
Aproximou-se dos dois, segurou firme o pulso da irmã e a afastou de Samuel com um puxão:
— Você disse ao telefone que não estava se sentindo bem à tarde. E agora? Está melhor?
— Estou bem — Daniela Peixoto respirou aliviada, sem conseguir disfarçar o suspiro.
O irmão chegara mesmo na hora certa.
Se não fosse ele, não saberia como sair daquela situação.
No fundo, sabia que seu coração ainda não era tão duro quanto gostaria.
— Seus amigos já chegaram. Não vai recepcioná-los? — Francisco, claramente sem vontade de sequer olhar para Samuel Rodrigues, já ia levando a irmã para longe.
Daniela também queria sair dali, mas Samuel não soltou sua mão nem por um segundo.
A força de seu aperto era tamanha que veias saltavam em suas mãos.
O olhar profundo, escuro como o oceano, estava fixo nela; no canto dos olhos, um leve rubor, como se houvesse algo quebrado dentro dele.
Naquele instante, o coração de Daniela doeu de leve.
Instintivamente, segurou o pingente de Buda pendurado em seu pescoço.
Samuel usava aquele pingente havia mais de vinte anos; devia ter para ele um significado especial. Por que, então, dera a ela logo naquele dia?
Se fosse para dar, não deveria ter dado para Cecília Peixoto?
Daniela mordeu os lábios, deixando a mente se perder em pensamentos.
Mas tantas decepções passadas a impediam de ainda alimentar qualquer esperança em relação àquele homem.
Inspirou fundo, fechou os olhos e, ao abri-los novamente, havia apenas determinação. Soltou com força a mão de Samuel e seguiu Francisco sem olhar para trás, entrando decidida no salão.
O corredor era dourado e suntuoso.
As luzes projetavam longas sombras escuras pelo chão.
O rosto de Samuel, antes pálido como cinza, começou a recuperar um pouco de cor.
Cruzou os braços, abraçando os próprios ombros, como se quisesse reter o calor do abraço da garota.
Aquele mínimo resquício de calor já era suficiente para fazê-lo se sentir vivo novamente.
Talvez estivesse doente.
E ela, era seu remédio.
Remédio para a alma.
Por isso, não importava quanto ela o rejeitasse ou detestasse, ele jamais a deixaria ir.
Samuel ficou ali, hipnotizado pela silhueta de Daniela enquanto ela sumia no fim do corredor.
Seus olhos amendoados se estreitaram, as pupilas vazias como um vale árido.
Ela ainda voltaria a amá-lo.
Tinha certeza disso.

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