Dez horas atrás.
Narciso Farias saiu da loja de conveniência arrastando o corpo cansado. Passara a noite inteira trabalhando, e às oito da manhã, finalmente saiu do turno, com um maço de dinheiro recém-pago apertado nas mãos.
Com esse pagamento, Narciso Farias finalmente juntara dinheiro suficiente para comprar o colar.
Ele precisava adquirir o colar antes da festa de aniversário da Dany.
Chegando em casa, abriu a porta.
Vera Silva e Olívia Dourado não estavam lá.
Narciso Farias sentia-se exausto e estava prestes a ir ao quarto para se lavar quando percebeu que a porta do seu quarto estava aberta.
Correu até o cômodo, levantou o lençol da cama.
Ao passar a mão, sentiu o coração gelar pela metade.
O Documento de Ordem de Crédito que ele vinha acumulando há três anos, escondido debaixo do lençol, havia sumido. Junto com ele, seu documento de identidade também desaparecera.
Com certeza, a tia tinha levado!
Apavorado, pegou o celular e ligou para Vera Silva.
Quando a ligação foi atendida, Narciso Farias gritou:
— Onde está meu Documento de Ordem de Crédito?
— Nossa Senhora! Que susto, menino! Precisa gritar desse jeito? Documento? Seu ingrato! Eu sustento você, te visto, te dou estudo no ensino médio, e ainda assim você esconde dinheiro de mim?
— Eu preciso desse dinheiro com urgência, pode me devolver, por favor? — Narciso Farias suavizou o tom. — Daqui pra frente, tudo que eu ganhar é seu.
— Que conversa é essa de daqui pra frente? Você acha que eu sou boba? Olha, estou no shopping com a Olívia, não vou perder tempo com você!
E desligou na cara dele.
Narciso Farias sentiu as forças se esvair e deslizou até o chão.
Acabou.
Todo o esforço tinha sido em vão.
Nesse momento, o celular vibrou.
Era uma mensagem da Dany lembrando-o para não esquecer a festa de aniversário daquela noite.
Narciso Farias achou tudo aquilo irônico.
Ele nem sequer tinha um presente decente para levar; com que cara compareceria a um evento tão sofisticado?
Apesar de ter virado a noite, Narciso Farias não sentia sono algum. Saiu de casa atordoado.
Caminhou sem rumo pelas ruas.
Andando, acabou voltando àquele shopping.
Diante da vitrine onde estava exposto o colar, Narciso Farias riu de si mesmo.

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