O ambiente estava estranhamente silencioso, quebrado apenas pelo som ocasional do choro da garota.
Jonathan acariciou suas costas com tapinhas gentis e ofereceu apoio silencioso enquanto ouvia com atenção, ciente do problema causado por Horácio.
Também sabia que tinha sido ela quem orquestrou o divórcio dele e da prima.
No entanto, a tentativa de suicídio pegou a todos de surpresa.
Quando parou de chorar, sentiu-se envergonhada ao perceber que havia molhado e amassado as roupas de Jonathan.
“Tire o casaco, vou limpá-lo.” Ângela fungou.
Jonathan a observou pensativo antes de sorrir. “Tudo bem, pegue.”
Ele tirou o casaco e o entregou.
A jovem pegou e sentiu o calor que o casaco ainda mantinha de seu dono.
“Você tem outro no carro? Está frio, não seria bom se pegasse um resfriado”, disse ela.
Quando viu que o homem usava apenas um suéter azul marinho por baixo, revirou sua bolsa e pegou um cachecol.
Estendeu-o e disse: “Aqui, use isso para se manter aquecido.”
Os pertences da garota sempre carregavam um arome doce e suave ao qual não estava acostumado, mas também não recusou.
“Chega. Ângela, venha comigo!” A voz severa de Noah interrompeu, sua expressão sombria.
Diante do descontentamento de seu professor, a estudante o seguiu.
Assim que viraram a esquina, foi repreendida.
“Você tem muita coragem, exibindo suas habilidades assim!”, esbravejou o velho olhando-a com desdém. “Foi elogiada mais cedo hoje e agora causou problemas para mim em questão de horas. Seja cautelosa quando estiver fora da faculdade, considere isso um aviso!”
“Tenho medo que os pacientes briguem comigo”, a voz de Noah voltou a ecoar e atraiu a atenção dos transeuntes.
Ao admitir a derrota, Ângela disse: “Eu estava errada. Não ousarei mais entrar na sala de emergência.”
Provocada pelas palavras de Nádia e pelas ações de sua prima, ficou desesperada ao ouvir que seu estado era crítico, o que a fez tomar uma decisão impulsiva. Ela não tinha outra escolha naquele momento se não entrar.
Detestava ser a causa dos problemas, então aceitou a repreensão como um castigo justo.
Ao refletir, reconheceu que se precipitou, mas permaneceu firme em sua decisão.
Ao entrar na sala de cirurgia e ver Queila ligada a vários tubos e instrumentos, com a tez pálida e a respiração fraca, o desejo avassalador de salvá-la consumiu seus pensamentos.
Durante seus esforços, fez uma descoberta inesperada.
Noah estava pronto para continuar a repreendê-la, mas as palavras que se seguiram o deixaram sem palavras.
Ele limpou a garganta e cedeu: “Muito bem, já que reconhece seu erro, vou deixar passar. Para evitar erros futuros, concentre-se em seus estudos, se forme e obtenha sua licença médica. Sem isso não vai conseguir exercer a profissão, nenhum médico respeitável confiará em você.”
“Entendido”, respondeu com um piscar de olhos, atenta.
Ao ver sua conformidade, o professor suspirou e fez um gesto. “Entendo seu anseio e sei que pode não querer ouvir um velho como eu. Vá e espere até que permitam que a veja.”
“Não, vou lembrar disso. Pode ficar tranquilo, vou estudar muitos e vou me formar. Me dedicarei a salvar a vida das pessoas, assim como você, dando esperança a todas as famílias.”

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