“Por que está aqui?” A garota afastou a mão, os olhos inexpressivos como se estivesse olhando para alguém irrelevante. “Está doente?”
Tinha cuidado dele e prescrito medicamentos durante cinco anos. Cuidou de seu bem-estar. Em teoria, mesmo que interrompesse o uso deles, ficaria um pouco fraco, é verdade, mas não teria problemas maiores.
Por isso estava confusa.
Zacarias voltou a si, o rosto pálido enquanto tossia algumas vezes ao se apoiar com um travesseiro.
“Não é você quem mais nos odeia? Por que está perguntando? Por que se importa? Ou foi a mãe e Fernanda que pediram que viesse?”, questionou; seus olhos escuros a encararam enquanto aguardava uma resposta.
Ângela tocou o queixo. “Invejo sua imaginação, é digna de histórias em quadrinho.”
“O que quer dizer?” Seu irmão franziu o cenho.
“Vim ao hospital para ver minha prima, não você, seu presunçoso. Te encontrei por acaso. Só que não vi mais ninguém no quarto além de você, então entrei”, disse, sorrindo despreocupada.
“Não vim aqui cuidar de você, só ver por quanto tempo consegue aguentar sem meus medicamentos. Agora que vi, terei uma ideia quando tratar outros pacientes. Obrigada, tchauzinho.”
E saiu sem sequer olhar para trás, pensando que, com o gênio orgulhoso que tinha, devia estar bastante zangado.
Mas, ao contrário do que esperava, o rosto delicado do enfermo não mostrava sinais de raiva. Em vez disso, observou-a sair com uma emoção complexa e indescritível nos olhos escuros.
O quarto ficou silencioso após a saída da jovem.
Como tinha previsto, muito tempo se passou, mas ninguém foi vê-lo.
Onde estavam sua mãe e Fernanda?
Ou... por que nenhuma enfermeira tinha vindo ainda...
A sala estava tão fria e silenciosa que era inquietante. Zacarias estava à beira de enlouquecer com o silêncio interminável. Incapaz de se conter mais, forçou-se a levantar da cama, pois queria encontrar a mãe e a outra irmã.
Assim que se levantou, a porta rangeu aberta.
Zacarias olhou na direção do ruído, surpreso e ansioso.
No entanto, uma mulher estranha à porta. “Olá. Zacarias Kins? Sou sua cuidadora. Fui contratada pela Sra. Fernanda e estou aqui para ver se precisa de alguma coisa, já que ela vai a um baile importante.”
O jovem não se deu ao trabalho de ouvir o resto.
Porque ficou congelado no lugar ao mesmo tempo em que um leve tom de zombaria brincou nos seus lábios.
A voz daquela estranha chamando-o parecia vir de outro mundo e ecoava fracamente. Foi necessário que o chamasse três vezes antes que ele saísse do transe.
Sua voz estava um tanto seca quando perguntou: “A Fernanda... ela foi para o baile?”
Quando viu sua expressão estranha, a cuidadora explicou com cautela: “Sim. Na verdade, foi o Sr. Sanders quem me contactou em nome da Sra. Ângela. Precisa de alguma coisa?”
O rapaz vacilou, depois recompôs-se e negou com a cabeça. “Não, espere lá fora.”
“Mas... você não parece bem, quer que eu traga uma enfermeira?”
“Não precisa!”, sua voz soou com mais firmeza.
Depois de mandar a cuidadora embora, sentiu como se toda a sua força o tivesse abandonado e desabou de volta na cama do hospital.
O silêncio infinito mais uma vez envolveu todo o quarto.
Zacarias puxou o cobertor sobre a cabeça, fechou os olhos e adormeceu.
Lembrou-se de quando costumava passar muito tempo no hospital devido à doença, mas nunca se sentira sozinho porque sempre que acordava, não importava quando, haveria sempre a figura ocupada de Ângela ao seu lado.
Naquela época, se comportava mal e sempre sentia que o cuidado dos outros era como uma zombaria do seu corpo frágil que o fazia sentir-se tudo, menos normal.
Assim, quando acordava e a via, brigava com ela e a mandava embora.
Como a irmã caçula respondia naquela época?
“Você acordou, como se sente? Vou chamar o médico.”
“Você ficou vários dias desacordado, seu corpo está fraco, coma alguma coisa. Preparei de acordo com o seu gosto, deve estar delicioso.”

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