Logo que Ângela entrou no carro, deparou-se com o belo rosto daquele que agora era seu marido.
Jonathan estreitou os olhos e voltou-os para a janela. “Os Swine estão causando problemas?”
Surpresa com sua presença, a jovem respondeu em tom casual: “Horácio está preso por minha causa, então a mãe dele veio tirar satisfação. E Ameacei o primo dele.” Parou por um momento e franziu o cenho quando continuou: “Disse que, se me irritarem, vou garantir que Horácio sofra na prisão. Acho que a mãe dele não vai mais causar problemas a partir de agora.” Apesar daquele sarcasmo afiado, a maioria das mães compartilha um traço, o amor aos filhos. Ameaçá-la talvez não tivesse sido eficaz se a vida do filho não estivesse em jogo.
Jonathan desviou o olhar, curvando um pouco os lábios. “Ouvi como Oliver a chamou. Acho que isso vai intimidá-los. O que está feito, está feito. Pedirei que Simon os faça ficar sabendo e acreditar.”
Os olhos de Ângela cintilaram reconhecendo a sabedoria naquelas palavras, então assentiu em concordância. “Tem certeza? Não será um problema para você? Se for, só dê uma lição em Horácio, afinal, o tempo na cadeia não será fácil de qualquer forma, e minha prima ainda está hospitalizada.” Aquela família ainda não enfrentou consequências suficientes, então não me culpe.
O homem recostou-se no banco de couro, os dedos esguios deslizaram por documentos, um leve brilho perigoso formando-se em seus olhos escuros. “Não se preocupe. Não é problema algum”, respondeu. Lidar com alguém dentro da cadeia não é difícil.
Logo, Oliver retornou, ligou o carro e acelerou.
Enquanto observava o carro partir, a jovem lembrou-se do que tinha de fazer e instruiu o homem ao volante: “Aquele hortifruti ali tem produtos frescos. É o melhor.” Frequentava o comércio quando morou com a avó, cuja ausência fazia a responsabilidade recair sobre ela.
A área era um bairro residencial com ruas estreitas, era impossível que a Land Rover adentrasse. Por isso pararam no início da rua.
Ângela desceu do carro e voltou o olhar para Jonathan e depois para suas pernas. “Não é fácil andar por aqui, é bastante caótico lá dentro. Se importa de esperar no carro? Eu já volto!” Suspeitava também, que o homem nunca tinha ido a algum lugar parecido e talvez não estivesse acostumado aos cheiros e ao ambiente lotado.
Jonathan ergueu uma sobrancelha, mantendo um tom calmo quando disse. “Acha que minhas pernas vão atrapalhar e te atrasar?”
Não foi o que eu disse! A jovem balançou a cabeça e refutou: “Estou apenas preocupada com o seu conforto.”
“Posso me adaptar a qualquer situação, até a esta”, retrucou.
Ângela pensou: Já que é assim, como posso recusar?
O assistente pegou a cadeira de rodas no porta-malas, abriu-a e ajudou seu patrão a sentar-se. Jonathan podia andar, mas o exercício provocava inchaço nos joelhos e dores agudas. A dor intensa que penetrava seus ossos era insuportável e, com o tempo, de fato, poderia impedi-lo de andar.
Ângela segurou as alças da cadeira de rodas, notando pela primeira vez que o homem ali sentado era alto. Como Oliver era considerado alto, ao ajudar o patrão a sair do carro, surpreendentemente foi possível ver que tinham quase a mesma altura.
“Você é mais alto do que pensei!”, exclamou a jovem, que ficou nas pontas dos pés e gesticulou. É uma cabeça mais alto que eu.

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